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RAMIRES LINHARES

15/07/2026 06:00

O burro morreu

Bom dia, boa tarde, boa noite, conforme a ocasião!

Outro dia li sobre uma expressão interessante: “Se eu disser que o burro morreu, pode dar fim à carroça”. Trata-se quase de um ditado popular, que já foi muito utilizado no passado e tem a ver com confiança. 

O sentido do termo é a garantia de que a pessoa está falando a verdade. Se ela disse algo, pode confiar, pode acreditar, pode tocar a vida pra frente, que o assunto está encerrado. Pode dar fim à carroça.

Hoje em dia, a confiança que depositamos nas sentenças ditas pelos outros tem diminuído bastante. Hoje se alguém diz que o burro morreu, em vez de dar fim à carroça, a maioria vai é questionar: “O burro morreu? Tem certeza? Quem confirmou? Mas você viu ou ouviu falar? Tem foto?”

Vai surgir um grupo de WhatsApp chamado “Burro Vivo”. E outro chamado “A Verdade Sobre o Burro”. Alguém vai publicar um vídeo de um jumento correndo no Paquistão, garantindo que era o mesmo animal. E alguns comentarão: “Eu não disse!”

Vamos ter especialistas em equinos, peritos em carroças e um influenciador ensinando cinco sinais de que um burro pode parecer morto sem estar.

No fim do dia, a carroça continuará parada, não porque o burro esteja vivo, mas porque ninguém conseguiu concordar sobre o óbvio.

Aprendemos a desconfiar, é verdade. E não sem motivo. É tanta notícia falsa, golpe, montagem e gente que mente profissionalmente. Verificar os fatos tornou-se uma necessidade. Pena que poucos praticam.

Isso provoca um efeito colateral pouco comentado: começamos a desconfiar também de quem nunca nos enganou. A suspeita, que deveria ser um remédio, virou dieta.

Passamos a pedir provas para os amigos, recibos para os vizinhos, assinatura Gov para os colegas e evidências para pessoas cuja maior credencial sempre foi a honestidade. 

No velho ditado, quem dizia “o burro morreu” não estava exibindo autoridade. Estava emprestando o único patrimônio que realmente importa: a própria palavra. Essa moeda curiosa, que leva anos para acumular valor, mas pode ser desvalorizada em uma única mentira. No fim, o personagem mais importante da história não era o burro, muito menos a carroça, era quem dava a notícia.

É que as carroças podem ser consertadas, os burros podem ser substituídos e até os ditados podem ganhar versões novas.

A confiança, não.


Sonho
Quer saber? Só vai. Trabalha, foca, enfrenta e vai pra cima. As outras pessoas não apoiam nem os sonhos delas, imagina o seu.

Democracia
Na democracia da floresta, mesmo que existam cada vez menos árvores, elas ainda continuam votando no machado, pois em campanha ele diz ser uma delas, por causa do cabo.

Água
Se a água do mar fosse doce, já teria sido engarrafada. É o sal que faz com que o mar seja livre. Isso não é sobre sal.

Livros
Isso de ter muitos livros é relativo. O número de livros que eu tenho, por exemplo, é bem inferior ao número de livros que eu não tenho. Só para que vocês saibam.

Abismo
Entre o que penso, o que quero dizer, o que digo, o que você ouve, o que você quer ouvir e o que você acha que entendeu, há um abismo. Ou vários.
 

Deputado Pepê
O deputado estadual Pepê Collaço, iniciando uma nova corrida eleitoral e celebrando mais um aniversário. Muitas felicidades e muitos votos de vida, amigo! 
 

Ramon Antônio
Cheio de estilo, o advogado Ramon Antônio celebra hoje mais um ano de vida, recebendo o carinho dos muitos amigos. Parabéns, maninho!
 

Paulinho
O empresário Paulo Emerick celebrando idade nova, ao lado da sua Rosinete. Parabéns! 
 

Instituto
No próximo sábado, em Laguna, por iniciativa do Instituo Histórico e Geográfico de Santa Catarina e do Instituto CulturAnita, será fundado oficialmente o Instituto Histórico e Geográfico do Sul de Santa Catarina. A nova instituição nasce com a missão de pesquisar, preservar, promover e divulgar a história, a geografia, a genealogia, a arqueologia, a etnografia e o patrimônio material e imaterial dos 45 municípios que compõem a Mesorregião Sul Catarinense. 


Frase solta, que deveria estar presa:
“O povo não entende o que lê, mas nunca duvida do que opina.”

Diário do Sul
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