O quadro eleitoral em Santa Catarina sofreu abalos profundos na última semana e a maior prova disso está no noticiário nacional. Em nenhuma unidade da federação o distanciamento entre o bolsonarismo e os demais setores da direita ficou tão evidente quanto aqui. O governador Jorginho Mello apostou todas as fichas em uma chapa “puro-sangue”, sem correr qualquer risco de chegar perto de qualquer sinal de centrão. O senador Esperidião Amin provavelmente é o exemplo mais claro: mesmo sendo autor do projeto de lei que prevê anistia aos golpistas envolvidos nos atos de 8 de janeiro, ele foi rifado por ser filiado ao PP. Junto com ele, perde espaço na aliança o União Brasil, herdeiro do DEM e do PFL. Vamos lembrar que PP e União são, em um resumo um pouco simplório, os destinos da linha política da Arena, partido que deu sustentação à ditadura militar no Brasil. Mesmo assim, não são considerados direita o suficiente para Jorginho. A necessidade de abrir alas para a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado é, sem dúvida, um dos enredos mais interessantes da política nesse período pré-carnavalesco.
A chapa do Jorginho
A chapa à reeleição de Jorginho Mello deve ter, ao que tudo indica, o prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo) como vice, com Caroline de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) concorrendo ao Senado.
As outras chapas
As demais candidaturas parecem estar recalculando a rota. João Rodrigues (PSD) vai tentar, naturalmente, buscar o apoio de MDB e da federação composta por PP e União. Outra novidade é o surgimento de Gelson Merisio como possível nome apoiado por partidos de esquerda. Também pode buscar os mesmos aliados.
Cassação de Seif
Um outro fator pode mudar muita coisa no tabuleiro: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou o julgamento do recurso no processo que pode cassar o mandato do senador Jorge Seif (PL- SC) para a próxima quinta-feira. Se Seif perder o mandato, há quem defenda uma nova eleição, e há quem defenda a posse do segundo colocado na eleição, Raimundo Colombo (PSD).