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LÚCIO FLÁVIO

04/08/2026 06:00

Público cansou dos políticos tiktokers

O engajamento orgânico dos políticos brasileiros nas redes sociais despencou mais de 30% entre maio e julho. É o que mostra um levantamento feito pela agência de marketing político BN3, e o dado chama a atenção porque foi feito num período em que as campanhas aumentaram a produção de conteúdo e os investimentos em impulsionamento. 

A questão financeira explica uma parte desse problema. A Meta mudou o algoritmo e reduziu a distribuição espontânea de conteúdos políticos para usuários que não demonstram interesse por esse tipo de assunto, o que diminui o alcance orgânico das publicações. Para atingir novos públicos, o político precisará pagar, e bem, para Mark Zuckerberg.

Mas analistas apontam um outro fator para esse declínio rápido, ainda mais importante do que a ganância das big techs: o comportamento do eleitor. Esse modelo de comunicação cansou os cidadãos, porque deixou de informar e quer apenas gerar repercussão – a famosa lacração. Assim, abusa-se de frases de efeito, de memes, de ataques a adversários. 

O desgaste é tão claro que faz com que muitos políticos sejam chamados jocosamente de “políticos tiktokers” pela população, que espera ver suas demandas atendidas, e não esquetes engraçadinhas nas redes sociais. Quando votamos em alguém, esperamos que este, uma vez eleito, trabalhe em prol da sociedade, e não que gaste seu tempo fazendo vídeos.

Além disso, é muito importante para um político transmitir aos eleitores confiança e credibilidade – justamente o que nenhuma rede social consegue entregar. Nesse ambiente tóxico, prevalece o ódio, a gritaria, a raiva. E o que a maioria das pessoas faz quando entra num ambiente desses? Simplesmente sai. Até por uma questão de saúde mental.

O que fica evidente é que todos queremos resultados concretos de quem ocupa cargo público. Por isso, o político que quer se manter conectado com o novo eleitor precisa parar de fazer gracinha nas redes sociais e passar a informar, prestar contas do que fez e explicar o que pretende fazer. Assim, ganhará respeito e confiança. São os novos e bons tempos.

Diário do Sul
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