Santa Catarina ostenta indicadores econômicos invejáveis, mas amarga um dado que envergonha: é o quinto estado do país em denúncias de trabalho infantil. Foram 392 registros em 2025, quase o triplo das 138 ocorrências anotadas em 2021, segundo o Ministério Público do Trabalho. Não se trata de estatística fria, mas de infâncias interrompidas em pleno estado que se orgulha de sua qualidade de vida. O contraste é cruel. Enquanto o discurso oficial celebra crescimento e produtividade, 1,6 milhão de crianças e adolescentes brasileiros ainda trabalham, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. E menos de 1% desse universo foi alcançado pela fiscalização. A engrenagem que deveria proteger falha — e falha feio. Em 2024, apenas 2.745 menores foram afastados do trabalho irregular em ações do Ministério do Trabalho. No mesmo período, o Disque 100 recebeu milhares de denúncias. Ou seja, a sociedade denuncia, mas o estado não responde na mesma proporção.
Ranking
O fato de SC estar atrás apenas de gigantes como São Paulo, com 2.124 denúncias; Minas Gerais (918), Paraná (529) e Rio Grande do Sul (426) não é consolo; é alerta vermelho. Trabalho infantil não é ajuda à família, é violação de direitos. O Disque 100 registrou cerca de 4,2 mil denúncias em 2024 e 5,1 mil em 2025, alta de 19,4%, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Fora
Alvo de investigação do MPSC sobre conduta irregular no caso do cão Orelha, o delegado-geral da Polícia Civil de SC, Ulisses Gabriel, deve deixar o cargo antes mesmo do período de descompatibilização. Pré-candidato a uma vaga na Alesc, Gabriel estuda deixar o posto para descolar as acusações sobre sua atuação no caso da campanha eleitoral.
Compromisso
A deputada federal Carol De Toni condicionou a sua permanência no PL a compromissos públicos assinados pelas principais lideranças do partido: o ex-presidente Jair Bolsonaro; o presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto; o candidato à presidência Flávio Bolsonaro; e o governador Jorginho Mello. Sem isso, ela pode acertar com outro partido.
Candidato
O ex-governador Carlos Moisés confirmou que é pré-candidato a deputado federal e avalia em que partido irá se filiar. A escolha vai depender das negociações. Mas uma certeza ele já tem: não estará alinhado ao governador Jorginho Mello. “Pensamos política de forma diferente”, garante. Moisés ainda é filiado ao Republicanos, mas o projeto deve ser por outra sigla.