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Violência doméstica aumenta na pandemia

19/05/2020 06:00

Do primeiro dia deste ano até a última terça-feira, a Polícia Militar de Tubarão atendeu 230 ocorrências envolvendo violência doméstica.


O número é 27,7% maior do que o registrado no mesmo período em 2019, quando o 5º Batalhão recebeu 180 chamados desse tipo de crime. Somente no mês passado, foram 35 ocorrências, contra 27 em abril de 2019.


De acordo com a PM, o crescimento desse número está ligado a diversos fatores, entre eles o aumento no número de denúncias após a implantação da Rede Catarina de Proteção à Mulher, em março do ano passado. Outro fator seria a pandemia do novo coronavírus.


“O aumento dos casos de violência justamente nesse período sugere que o isolamento social tem como uma de suas consequências o aumento da violência doméstica, infelizmente”, explica a coordenadora da rede e chefe da Comunicação Social do 5º BPM, a capitã Cínthia Mendes Leandro.


“Nesse período de quarenta, onde aumentam as horas de convívio, somados à ansiedade, medo e outros receios relativos à pandemia e às consequências econômicas, possivelmente contribui para esse aumento, cuja causa é estimulada através de crenças culturais que reforçam as diferenças de gêneros, hierarquização das relações sociais de gênero, correspondendo aos homens o exercício da dominação pela força física ou psicológica”, completa a capitã.

 

Vergonha

O índice de subnotificação dos casos também gera preocupação e fica por volta de 57% na Cidade Azul. “Devemos somar a isso o fato de envolver a intimidade do casal, fatores econômicos, culturais e sociais (vergonha, culpa) e ainda o fato de que muitas mulheres sequer identificam a violência, já consideram a situação natural, normal”, explica a capitã Cínthia.

 

Rede protege vítimas

A Polícia Militar, através da Rede Catarina de Proteção à Mulher, busca acompanhar as vítimas de violência doméstica, atuando nas causas do crime, para que o ciclo de violência seja rompido.


Os tipos de violência se revelam de diferentes maneiras, através da agressão física, moral, psicológica, sexual ou até mesmo patrimonial, quando se subtrai, destrói ou se retém algum objeto, instrumento de trabalho ou documento da vítima. Em qualquer um desses casos, a denúncia deve ser feita através do 190.


Segundo a PM, mais de 170 mulheres foram acompanhadas pela rede em Tubarão desde a implantação do projeto. Atualmente, 70 mulheres em situação de violência recebem atendimento. As vítimas com medidas protetivas de urgência cadastradas na rede contam com o botão de pânico, através do aplicativo PMSC Cidadão, permitindo maior agilidade nos atendimentos e facilitando o contato da vítima com a polícia.

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Guilherme Corrêa

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