No Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, casos registrados em Braço do Norte e Jaguaruna acendem alerta
O Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, lembrado hoje em Santa Catarina, reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção à violência contra a mulher. Mais do que uma data de conscientização, o momento chama a atenção para um crime que, na maioria das vezes, é precedido por ameaças, perseguições e agressões, sinais que podem e devem ser interrompidos antes que a violência chegue ao extremo.
Na região de Tubarão, dois casos recentes marcaram a comunidade. Em 2026, Tateana Marcos Medeiros, de 46 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro dentro da própria residência, no bairro Travessão, em Braço do Norte. Ela possuía medida protetiva em vigor e havia registrado novos boletins de ocorrência por perseguição poucos dias antes do crime. O homem foi preso em flagrante.
No ano passado, Arylaine Ucosky Silva Patrício, de 21 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em uma emboscada no bairro Loteamento Porto Belo, em Jaguaruna. Após cometer o crime, o autor tirou a própria vida.
Para o delegado regional da Polícia Civil de Tubarão, Lucas de Sá Rezende, a prioridade é agir rapidamente desde os primeiros registros de violência doméstica para reduzir os riscos às vítimas.
“A Polícia Civil, nos 14 municípios que compõem a 5ª Delegacia Regional de Polícia de Tubarão, tem procurado fazer um trabalho prioritário no atendimento aos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, colhendo os requerimentos por medidas protetivas e encaminhando ao Poder Judiciário o mais rápido possível. Também buscamos dar prioridade aos casos de descumprimento dessas medidas, tentando agir rapidamente para minimizar o risco.”
Medidas importantes
O delegado destaca que, embora não seja possível eliminar completamente a possibilidade de um feminicídio, as medidas protetivas são fundamentais. Segundo ele, o enfrentamento à violência contra a mulher depende ainda da atuação conjunta de diferentes instituições.
“A gente tem agido de forma integrada com a Polícia Militar, Ministério Público, Poder Judiciário, secretarias municipais de assistência social e demais órgãos que compõem a rede de proteção. Esse trabalho conjunto é essencial para diminuir o risco de novos casos.”
Em Tubarão, a estrutura de atendimento conta com a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), além de projetos voltados ao acolhimento das vítimas. Entre as iniciativas estão atendimento psicológico realizado por profissionais parceiros, orientação jurídica voluntária em convênio com a OAB e programas de capacitação profissional para mulheres em situação de violência.
Dados estaduais reforçam problema
Os números reforçam a dimensão do problema em Santa Catarina. Conforme dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), 28 feminicídios foram registrados entre janeiro e junho deste ano. Em todo o ano de 2025, foram 52 casos. Já o Tribunal de Justiça de Santa Catarina contabilizou 17.058 pedidos de medidas protetivas apenas no primeiro semestre de 2026.
De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o feminicídio é a forma mais extrema da violência de gênero e dificilmente acontece sem sinais anteriores. Ameaças, perseguições, violência psicológica, controle da rotina da vítima e agressões físicas costumam integrar um ciclo de violência que pode evoluir para o assassinato.
O órgão também destaca que o feminicídio não encerra apenas a vida de uma mulher. O crime deixa consequências profundas para filhos, familiares, amigos e para toda a comunidade, reforçando a importância da denúncia e da atuação preventiva da rede de proteção antes que a violência alcance seu desfecho mais grave.