Uma empresária de Imbituba registrou um boletim de ocorrência após sofrer injúria racial no último fim de semana.
Kellen Beatriz Antunes teria sido chamada de “neguinha atrevida” e “neguinha petulante” por uma moradora do prédio onde ela está montando seu salão de beleza.
O caso aconteceu no fim da tarde de domingo. Segundo Kellen, ela estava com o marido fazendo a mudança do salão, no bairro Nova Brasília, quando uma moradora desceu do prédio para reclamar do barulho causado. “A senhora veio falando e agindo com agressividade. Pedi desculpas e expliquei que já íamos parar com a mudança”, detalhou Kellen em um vídeo postado nas redes sociais.
“Depois, ela saiu e voltou com o marido. Ele chegou, pediu licença educadamente e começou a conversar conosco. Explicamos mais uma vez a situação, pedimos desculpas novamente, mas logo em seguida a mulher começou a falar as ofensas, num tom racista”, contou a empresária.
Kellen acionou a Polícia Militar ainda no domingo e esteve ontem pela manhã na Polícia Civil. Um inquérito será instaurado para apurar o caso e as partes serão ouvidas. “É muito triste saber que isso ainda existe. O racismo, infelizmente, está presente no nosso dia a dia. Mas eu sei dos meus direitos. Ela pensa que eu não sou ninguém, mas todos temos uma voz. Tenho meus filhos, minha família e meu comércio. Não sou escrava, mas empresária”, explicou Kellen.
A injúria racial consiste em ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem.
Já o crime de racismo atinge uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça. Ao contrário da injúria racial, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível.
Guilherme Corrêa