Evento na Alesc debateu causas e consequências da utilização precoce de dispositivos eletrônicos pelo público infantil
A bola de futebol, o pique-esconde e as brincadeiras de rua deram lugar à expressão “arrasta para cima”. O dedo que corre pela tela, o olhar fixo em uma luz constante. Por trás de vídeos coloridos e desenhos aparentemente inocentes, existe um ambiente que também pode expor crianças e adolescentes a riscos silenciosos.
O uso de dispositivos digitais já faz parte da rotina da maioria das crianças brasileiras — e em idades cada vez mais precoces. Dados recentes indicam que 78% das crianças de até três anos utilizam telas diariamente. Entre quatro e seis anos, o índice chega a 94%.
A infância e adolescência conectadas trouxeram novas possibilidades, mas também desafios que exigem atenção, preparo e responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas e poder público.
Debate
Diante desse cenário, a Alesc realizou o debate “Entre telas e a realidade: infância, saúde mental e uso consciente da tecnologia”.
O evento apontou prejuízos no desenvolvimento cognitivo, na capacidade de concentração e na construção de vínculos sociais.
Vigilância contínua e políticas públicas são consideradas fundamentais
A lógica do estímulo imediato, com vídeos curtos e recompensas instantâneas, pode reduzir a tolerância à frustração e dificultar o engajamento em atividades que exigem mais tempo e esforço, como leitura, estudo e interações presenciais.
A secretária-geral da Alesc, Marlene Fengler, destaca a importância de políticas públicas e do envolvimento das instituições de ensino na orientação de crianças e adolescentes.
Andréa Vergani, presidente do Movimento Mulheres que Fazem Floripa, reforçou que “esse é um tema que atravessa famílias, escolas e toda a sociedade. Informação e orientações são fundamentais para que possamos proteger as novas gerações e promover o uso consciente e seguro da tecnologia”.