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Tranças, resistência e representatividade afro

Trancista destaca avanços, desafios e a potência das mulheres pretas

17/11/2025 06:00|Atualizada em 18/11/2025 01:20|Por Redação

O Dia da Consciência Negra, celebrado na próxima quinta-feira, mobiliza todo o país em torno de reflexões sobre igualdade racial, combate ao preconceito e valorização da cultura afro-brasileira. Em Tubarão, a data também evidencia o avanço gradual de espaços dedicados à estética afro e o papel de profissionais que têm contribuído para ampliar a representatividade no setor.

A tubaronense e trancista Aline Helena Martins, que atua há quase uma década no município, relata que o início da carreira foi marcado pela resistência do mercado. Segundo ela, a atividade, historicamente associada à ancestralidade afro e transmitida entre gerações, enfrentou dificuldades para ser reconhecida como serviço de beleza na região.

“Não foi fácil conquistar espaço como trancista. Por ser uma arte ancestral, houve dificuldade para que a sociedade vinculasse isso a um serviço de beleza, principalmente aqui no Sul”, explica.

Resistência   

Mesmo com avanços, Aline afirma que a busca por reconhecimento é contínua. “O esforço é constante, não só por ser uma mulher preta, mas porque a área da beleza exige atualização permanente. Estamos sempre estudando e buscando referências históricas. Para nós, mulheres pretas, tudo precisa ser provado”, destaca.

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Força e inspiração para as novas gerações

A tubaronense Aline Helena Martins avalia que a representatividade em diferentes ambientes tem aumentado, o que fortalece a autoestima e amplia as possibilidades para as próximas gerações.

“Hoje me sinto representada em muitos espaços. É gratificante ver mulheres pretas em cargos de liderança e posição de poder. O que minha geração enfrentou, a próxima está sendo poupada”, observa. A presença de pessoas negras em produções audiovisuais e nas redes sociais também é apontada por ela como um avanço relevante.

“A representatividade na mídia cresceu. Nas novelas, minisséries e perfis de influenciadores digitais, conseguimos nos reconhecer. Temas como cabelo e maquiagem afro estão mais acessíveis e variados, e isso é extremamente importante”, afirma.

Ao reforçar a importância da data, Aline deixa uma mensagem voltada às mulheres pretas que buscam espaço em diferentes áreas. “Ser uma mulher preta empreendedora é um ato de resistência diário, mas também de amor pela nossa história e por quem virá depois. O caminho nem sempre é fácil, mas é possível. Quando uma de nós avança, todas avançam”, diz.

As reflexões que marcam o Dia da Consciência Negra reforçam a necessidade de criar políticas e iniciativas que ampliem oportunidades, combatam desigualdades e valorizem a contribuição da população negra na construção social, econômica e cultural do país. “Não somos exceção; somos continuidade”, finaliza.

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