Domingo, 28 de junho de 2026
Fechar [x]

Tela retrata período de isolamento social

28/04/2020 06:00

Durante a quarentena, muitas pessoas acabam fazendo do isolamento social uma fonte de inspiração e redescobrindo talentos que estavam guardados em meio às ocupações do dia a dia. Foi o caso de Zair Teresinha Covre, de Tubarão. Estilista e modelista aposentada, ela decidiu aproveitar o tempo de recolhimento sozinha em casa para pintar o que ela considera sua primeira tela de verdade. “Era um desejo de infância, mas que a falta de tempo nunca me permitiu deixar aflorar”, revela.


Zair conta que assim que iniciou o período de isolamento em decorrência da pandemia do coronavírus, ela se viu tendo que ficar em casa sozinha sem poder sair para cuidar da neta, como fazia todos os dias.


Como mora sozinha, ficar dentro de casa estava sendo um tanto difícil para ela. “Foi aí que deu vontade de pintar, uma vontade que tinha desde criança, mas nunca tive tempo, e agora surgiu a oportunidade. Tirei de uma experiência aparentemente ruim uma coisa que adorava fazer e nunca conseguia”, conta.


Nem mesmo o pouco material para realizar a pintura – e com as lojas fechadas que a impediam de comprar novos – foi empecilho. “Tinha só seis cores de tinta, já usadas, em casa, além de alguns pincéis gastos, que utilizava para pintar uma coisinha ou outra pequena. Também tinha uma tela velha, que não gostava, então lixei para traduzir ali a minha inspiração. E ela está aí, a inspiração se concretizou em forma de um quadro que traduz o meu sentimento frente à pandemia e tudo o que ela trouxe”, diz.  “Agora, quando tudo isso passar, vou continuar arranjando tempo para pintar mais telas”, pontua.


“Daqui a 100 anos, quem ver esta tela vai saber o que passamos, porque atrás dela está carimbado todo o sentimento do que foi passado neste ano, tudo. E também a história da minha vida”, conclui.

 

Traduzindo sentimentos

Sem técnicas profissionais, usando apenas a inspiração e sentimentos que a representavam, Zair levou 22 dias para pintar a tela, que é uma mulher bem vestida, com o rosto virado para o horizonte, segurando um violino, sem o brilho do sol, mas com o céu colorido. “Tudo na tela tem um significado para mim. A mulher sozinha representa o isolamento, e está bem vestida representando a moda, que foi minha profissão, meu ganha-pão; as pedras da colina representam a doença que estamos lutando, o sofrimento, e ao olhar para o horizonte, ela está vendo tudo o que o mundo está passando, sem o sol brilhando, mas com a esperança refletida nas cores do céu. Ela leva ainda um instrumento musical, porque, para mim, em qualquer guerra que tivermos que enfrentar, temos que levar a música junto”, comenta.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Quer receber notícias de Tubarão e região? Clique aqui.
Diário do Sul
Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR