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Técnica preserva fertilidade durante tratamento

Cirurgia de transposição uterina foi realizada no Hospital Unimed de Tubarão.

22/08/2022 06:00

Uma cirurgia inovadora para o tratamento de câncer no colo do útero, por meio de uma técnica minimamente invasiva, foi realizada no sábado, no Hospital Unimed Tubarão. O procedimento foi intermediado pelo ginecologista Leandro Gugel, acompanhado pela médica oncologista Audrey Tsunoda, que veio especialmente de Curitiba para fazer a cirurgia em uma mulher de 38 anos.


O procedimento de transposição uterina, realizado no Hospital Unimed, é uma inovação criada no Brasil pelo cirurgião oncológico Reitan Ribeiro — pesquisador local de protocolo internacional em cirurgia laparoscópica para câncer de colo de útero —, que vem ajudando várias mulheres em tratamento contra o câncer, no país e em outros lugares do mundo.


Geralmente, segundo o médico Leandro Gugel, essa técnica é usada para tratamento de alguns tipos de câncer, como o de canal anal, de reto e, posteriormente, para a pelve, e ainda acrescentado para a vagina e vulva, sendo direcionada àquelas pacientes que ainda possuem o desejo gestacional.


O método é uma técnica cirúrgica que consiste na transferência dos órgãos reprodutivos da mulher para a parte de cima do abdômen, temporariamente, para preservá-los, segundo Leandro. O tratamento consiste em três etapas. A primeira é a remoção dos órgãos da pelve do sítio anatômico para o

abdômen superior. Depois ocorrem a radioterapia e química, se for o caso.


“Com a paciente tratada e curada, ela vai para a terceira etapa, que é o reposicionamento dos órgãos reprodutores: útero, ovário, novamente para o sítio anatômico dele, junto à vagina. Depois de certo tempo de recuperação, ela estará apta a uma gestação. Já temos casos de gestação por fertilização e casos por via natural”, pontua Leandro.


A médica Audrey Tsunoda ressalta que o objetivo da técnica é preservar a função dos órgãos ginecológicos nas mulheres que receberam tratamento radioterápico no ventre. Segundo ela, toda vez que se faz radioterapia são eliminadas as funções e a possibilidade de se ter uma gravidez. Com essa técnica cirúrgica, a possibilidade de se ficar grávida volta a ser uma esperança.


Até agora, 40 mulheres fizeram a transposição do útero no Brasil e em outros países. No Brasil, o procedimento ainda é feito por meio de protocolo de pesquisa, em hospitais autorizados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica considera esse procedimento um marco. Até agora, no Brasil, três bebês foram gerados após a realização dessa cirurgia neste ano de 2022.

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