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Sofrimento silencioso tem aumentado entre os jovens

Sem dados oficiais, especialistas apontam agravamento da crise emocional

17/07/2025 06:00|Por Amábile Corrêa / [email protected]

O debate sobre saúde mental tem ganhado espaço em meio a um cenário cada vez mais alarmante. 

Em Tubarão, embora não existam dados oficiais atualizados sobre mortes por suicídio ou sobre o número de corpos encontrados no Rio Tubarão neste semestre, o assunto continua urgente.

Diante da ausência de estatísticas, a reportagem buscou compreender o panorama local a partir da análise da psicóloga Andréa Wronski, profissional com atuação na região.

Segundo ela, é difícil restringir a análise ao município, mas há uma certeza: a saúde emocional da população, especialmente dos mais jovens, está em crise. “Há um aumento nos quadros de ansiedade, dificuldade de lidar com frustrações e de estabelecer relações empáticas. Tudo isso tem sido percebido com maior intensidade entre os jovens”, explica. 

A especialista observa que o mundo digital tem impactado diretamente esse cenário. “As redes sociais e o excesso de virtualidade criam uma lógica de isolamento social que agrava ainda mais as dificuldades emocionais”, ressalta.

Prevenção   

Andréa destaca que o suicídio não é um ato impulsivo, mas o resultado de uma trajetória longa de dor e angústia. “Do ponto de vista emocional e psíquico, o que leva alguém ao suicídio é uma desistência da vida, a sensação de que o sofrimento se tornou insuportável. Também há, muitas vezes, a ausência de um sentido que conecte essa pessoa a objetivos, desejos ou ao propósito da própria existência”, observa. Ela alerta que nenhum ato suicida ocorre sem sinais prévios. “A pessoa pensa muito antes de consumar. É nesse momento, anterior ao ato, que o atendimento profissional pode fazer toda a diferença.”

Para a psicóloga, é essencial que a prevenção vá além de campanhas pontuais. É preciso investir em ações contínuas, como educação emocional nas escolas, rodas de conversa, espaços de escuta e fortalecimento de vínculos sociais. “Precisamos canalizar as angústias do dia a dia por meio de espaços que acolham o sofrimento”, finaliza. 

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Estatísticas são importantes para definir ações

Atualmente, Tubarão não conta com estruturas emergenciais adequadas para o acolhimento emocional de quem sofre. “Nosso município não oferece um suporte emocional compatível com os altos índices de sofrimento psíquico”, aponta Andréa Wronski.

“As dificuldades emocionais já são endêmicas na região. É urgente a criação de plantões psicológicos, voltados a atendimentos emergenciais para quem está em crise”, defende a profissional.

Ela ressalta que esse tipo de ação pode salvar vidas. “Ter um local onde a pessoa possa ser acolhida no momento em que tudo parece desabar pode ser decisivo. Estamos lidando com um fenômeno grave e crescente, e é necessário agir com urgência.” 

Falta de dados   

A ausência de dados oficiais sobre suicídios, segundo a psicóloga, não significa que o problema seja pequeno. A Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, orienta que números e detalhes não sejam divulgados de forma explícita para evitar o chamado “efeito contágio”, quando a exposição pode influenciar pessoas vulneráveis que já estão considerando a ideia.

Mesmo sem estatísticas locais, Andréa acredita que o sofrimento emocional tem se agravado. “O mundo está adoecendo emocionalmente. Vivemos em um tempo de idealizações irreais, isolamento social extremo e intolerância à frustração. Tudo isso está desconectando as pessoas não só umas das outras, mas de si mesmas”, salienta. Diante de um sofrimento cada vez mais silencioso, a psicóloga reforça que é urgente pensar em políticas públicas que escutem e acolham antes que a dor transborde. “O sofrimento precisa ser levado a sério. Não se trata de fraqueza, e sim de uma dor real que exige cuidado coletivo”.

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