A paralisação parcial dos empregados dos Correios, iniciada nessa segunda-feira pelas representações sindicais da categoria, não afeta os serviços de atendimento da estatal. Um levantamento parcial, realizado na manhã de ontem, mostrou que 83% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente.
A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. De acordo com os Correios, a rede de atendimento está aberta em todo o país e os serviços, inclusive Sedex e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios.
A greve ocorre em protesto contra a retirada de direitos e também pela falta de ações para proteger os empregados durante a pandemia. Na região de Tubarão e Criciúma, aproximadamente 40% dos trabalhadores estão parados desde ontem.
O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Sintect/SC) de Santa Catarina, Jeferson da Rocha, diz que houve a revogação do atual acordo coletivo que ainda estava em vigência. “Os Correios propõem uma proposta de exclusão de 70 das 79 cláusulas deste acordo. Isso gera uma redução de 40% nos salários. Cerca de 40% e 50% dos trabalhadores já estão parados aqui na região Sul, entre Paulo Lopes e Passo de Torres. A maior parte deles são de carteiros”, pontua.
Segundo a estatal, desde o início das negociações com as entidades sindicais os Correios tiveram como objetivo cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, para se protegerem da crise ocasionada pela pandemia de coronavírus.
“A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Uma proposta impossível de ser atendida”, pontua.
Durante a pandemia
“Vale ressaltar que, dentre as medidas adotadas para proteger o efetivo durante a pandemia, a empresa redirecionou empregados classificados como grupo de risco para o trabalho remoto – bem como aqueles que coabitam com pessoas nessas condições”, afirmam os Correios.