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Seis cidades não acatam decreto

16/07/2020 06:00

Seis municípios da Amurel – Grão-Pará, Braço do Norte, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, Jaguaruna e Imbituba – acabaram voltando atrás nas decisões tomadas na noite de terça-feira, na assembleia entre os prefeitos, e declararam ontem que não vão acatar o fechamento total do comércio e de outras atividades, conforme previsto na recomendação do Comitê Regional de Saúde.


Na coletiva de imprensa na manhã de ontem, que serviria apenas para detalhar o decreto, os prefeitos de Grão-Pará, Braço do Norte e Gravatal afirmaram que mudaram a decisão tomada na noite anterior e não iriam mais aceitar o decreto da forma como havia sido definido. Durante a tarde, Gravatal acabou voltando novamente atrás e aceitou seguir o decreto geral da Amurel.


No entanto, por nota, a prefeitura de Braço do Norte informou que, juntamente com os municípios de Grão-Pará, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima, criou o Comitê Extraordinário do Vale de Braço do Norte, formado por três médicos e uma engenheira sanitarista, “que tem por intuito analisar a última recomendação do Comitê Extraordinário Regional de Acompanhamento à Covid-19 da Amurel, o qual orientou pelo fechamento das empresas que não prestam serviços essenciais. No prazo de 24 horas  – a contar das 18h de hoje (ontem) –, o Comitê do Vale formulará um parecer técnico-científico que norteará a próxima ação dos municípios de sua abrangência. Com isso, os municípios integrantes deste comitê expediram novos decretos com medidas mais restritivas, contudo sem o fechamento integral das atividades não essenciais. Por fim, a administração municipal informa que serão intensificadas as ações de fiscalização”.


Jaguaruna também emitiu um outro decreto estabelecendo horários mais restritos ao comércio, mas não o fechamento, assim como nos municípios do Vale. Em Imbituba, o prefeito Rosenvaldo da Silva Júnior afirmou em uma live no início da noite de ontem que fará um protocolo alternativo próprio, que será apresentado para a Amurel e ao Ministério Público com alternativas de funcionamento para as atividades. O município deve emitir seu decreto hoje.


O prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, lamentou a decisão dos municípios de voltarem atrás e não cumprirem a recomendação do comitê. “Precisamos de uma medida que seja eficaz para atender a todos. Não é justo que uma região inteira que se sirva apenas da UTI dos hospitais de Tubarão não faça a sua parte. Até porque os hospitais daqui atendem aos 369 mil habitantes da Amurel, portanto este esforço teria que ser coletivo”.

 

Hospitais estão preocupados

O médico infectologista Fábio Tadeo Teixeira, diretor executivo do Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão, disse ontem durante a coletiva de imprensa na Amurel que é preciso reduzir a curva para que o sistema de saúde possa atender a todos. “É preciso união para voltarmos a fazer o isolamento, ou vamos acabar perdendo pacientes por falta de recursos. Mesmo que queira aumentar leitos, não temos mão de obra, nossos colaboradores também estão ficando doentes. Se não conseguirmos fazer a redução da curva, vamos viver uma situação dramática na nossa região”, alertou. O diretor do Socimed, Fernando Delgado, também alertou para a situação grave. “Queremos poder ajudar, mas já estamos lotados e de nada adiantará aumentar leitos se os números de casos não diminuírem. É como secar gelo”, pontuou.

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