Micheline Zim
Amigas de uma vida. É assim que Ângela Tonelli Narciso, Daniella Botega, Heloísa Balsini, Jussara Tournier Campelli, Roberta Caporal Fernandes e Trícia Paes Hübbe se definem. Elas se conhecem desde pequenas, por volta dos seis ou sete anos de idade, e nutrem uma amizade sólida, daquelas que inspiram, até hoje, quatro décadas depois.
Em tempos de amizades efêmeras e redes sociais que fazem tudo parecer mais fácil e rápido, o fortalecimento dos laços entre as seis meninas só aumenta dia a dia. “Adorei saber que seremos personagens de uma matéria. Eu acredito que o mundo precisa de histórias verdadeiras e realmente temos um vínculo que costumo dizer que é de outras vidas. Quando nos encontramos, parece que voltamos no tempo, não existe prazo de validade. Temos a energia de quando éramos adolescentes”, se emociona uma das integrantes da turma, Daniella, que inclusive “criou” um grupo com as seis meninas no WhatsApp para todas participarem da entrevista que deu origem à matéria.
A amizade das seis meninas, que sempre chamaram a atenção por serem lindas, delicadas e muito unidas, nasceu na sala de aula do Colégio São José, em Tubarão, ainda na primeira série. Desde então, estudaram juntas até o segundo ano do agora ensino médio (segundo grau, na época). De acordo com Trícia, a amizade foi nascendo naturalmente, por afinidade. “Não me recordo ao certo quem começou com quem, mas quando me dei conta éramos as seis”, diz.
“Como vivíamos muito grudadas nos recreios do colégio, sempre conversando entre nós, penso que acabamos por transparecer uma imagem de turma fechada, quando na verdade não era. Nos concentrávamos em nós e vivíamos de forma normal como qualquer adolescente, e não tivemos problemas com nenhum colega de sala que nos acompanhou por anos”, lembra Trícia.
De tão unidas, aliás, criaram até uma língua própria, a “língua do i”, que consistia em trocar todas as vogais pela letra i, dificultando para quem não fosse da turma entender o que falavam. A língua, contam, é falada por elas até hoje, que ainda tentam ensinar as filhas.
Encontros continuam sendo frequentes
As meninas, que eram praticamente ícones no colégio, cresceram, casaram (três delas com namorados da adolescência), tiveram filhos - sete meninas e um menino (Ana Luíza, Valentina, Livia e Clara, Cecília e Betina, Lorena e Enzo) -, e continuam se encontrando até hoje e se falando praticamente todos os dias, já que agora a internet facilita ainda mais o contato.
Hoje, cinco delas moram em Florianópolis, e apenas uma, Daniella, ficou em Tubarão. Mas as famílias de todas ainda vivem na Cidade Azul, então, em qualquer uma das cidades, os encontros frequentes acontecem.
Segundo Roberta, foi que nem um ímã, “colaram as seis e nunca mais separaram. A amizade sempre foi mais forte. Realmente parece de outras vidas. Mesmo com o tempo ela não muda. É uma sensação de pertencimento. Eu pertenço a elas e elas me pertencem”, ressalta.
Heloísa lembra que ela e Jussara se conheciam desde bebês. “Daniella era vizinha da Jussara. Trícia veio na época do colégio. Roberta foi brincar lá em casa nessa época e ficamos amigas e ela trouxe a Ângela. Lembro que um pouco mais velhas, por volta dos 15 anos, fizemos um pacto que sempre seríamos amigas e nunca iríamos nos separar”, relembra. Com 15 anos, aliás, todas debutaram, juntas, como sempre.
“Nossas filhas verem isso é muito legal, porque é uma coisa que hoje em dia tudo é tão rápido, as amizades não são mais cultivadas. E nós conseguimos ir alimentando isso e somos muito gratas por ter conseguido manter a amizade, que faz tanta diferença nas nossas vidas”, conclui Jussara Campelli.
Por pura afinidade
“Não tem como explicar. Foi afinidade mesmo, a gente se dava bem, e acredito que dura porque faz bem para o coração da gente. Foi fazendo bem e a gente foi mantendo, por mais que cada uma fosse tendo uma vida diferente da outra. E acho que esse ‘gostoso’ que dá no coração é o mais importante. A gente se conhece muito e aprendemos a viver e valorizar defeitos e qualidades. E isso é amizade, é respeitar o jeito de cada uma. O todo é muito mais importante. Saber que existe esta rede e que fazemos parte dela nos faz sentir mais completas e mais fortes”, avalia Jussara.