Durante reunião na prefeitura com representantes da Cattalini, moradores fizeram protestos e comemoram decisão
Carlos Henrique Kszan, diretor de Novos Negócios da empresa Cattalini Terminais Marítimos, informou que, diante do posicionamento dos representantes de Imbituba e dos moradores, o projeto de instalação dos tanques de granéis líquidos para o abastecimento de combustíveis e óleo vegetal no município está suspenso.
“Não haverá a instalação da empresa a qualquer custo. Hoje, existe uma lei municipal que proíbe a implantação. Por isso, o projeto está suspenso”, garantiu.
Os representantes da empresa Cattalini estiveram reunidos ontem com o prefeito de Imbituba, Rosenvaldo da Silva Júnior, o presidente da Câmara de Vereadores, Roberto Rodrigues, e alguns secretários municipais. O grupo, que fica sediado na cidade de Paranaguá (PR), tinha a intenção de instalar os tanques na região da Praia do Porto, em Imbituba.
Durante o encontro, o prefeito de Imbituba manteve a posição contrária à instalação dos tanques. Ele alegou aos diretores da empresa que há uma lei municipal que impossibilita a implantação dos depósitos de granéis líquidos inflamáveis na cidade.
Enquanto isso, no entorno da prefeitura, um grupo, formado por aproximadamente cem pessoas contrárias à instalação da empresa na cidade, fez uma manifestação pacífica, com direito à música e palavras de ordem. A maioria acredita que a instalação de uma empresa do gênero levaria risco de uma “explosão” à cidade.
Ao longo de quase duas horas, os representantes da empresa apresentaram o projeto, falaram do investimento financeiro e responderam aos questionamentos. Logo que a reunião foi encerrada, o prefeito Rosenvaldo da Silva Júnior se reuniu com os moradores que se manifestavam em frente à prefeitura. Ao grupo, o chefe do Poder Executivo reiterou o posicionamento contrário à instalação dos tanques de combustíveis na cidade.
Sobre a empresa
A Cattalini Terminais Marítimos existe há 38 anos, e fica em Paranaguá (PR). É o maior terminal privado de granéis líquidos da América Latina, e o investimento era na ordem de R$ 300 milhões em Santa Catarina, especialmente em Imbituba, onde há o porto que movimenta granéis líquidos.
Interesse no município vem desde 2016
Desde 2016, a empresa Cattalini já vinha tentando implantar em Imbituba seu novo parque de tancagem, que, segundo um estudo realizado, teria a capacidade de armazenar 234.100m³ em uma estrutura que possivelmente seria construída numa área de aproximadamente 127.193m², composta por 43 tanques (22 tanques na primeira fase e 21 tanques na segunda fase), com o objetivo em armazenar os granéis líquidos (petróleo e seus subprodutos, óleos vegetais e outros).
Desde então, moradores e representantes de setores econômicos e sociais já se manifestaram contrários, inclusive em audiência pública, à vinda da empresa. Na época, os vereadores criaram um projeto coletivo aprovado por eles e sancionado pelo então prefeito Jaison Cardoso, proibindo permanentemente a armazenagem de granéis líquidos perigosos no município.
Em maio deste ano, a Associação Empresarial de Imbituba (Acim) lançou o projeto “Imbituba do Futuro”, com o intuito de reunir e conscientizar instituições municipais, com o apoio das associações empresariais, sobre a necessidade de um trabalho coletivo para a atração de novas empresas, especialmente de segmentos industriais que tenham ligação com a logística oferecida pelo Porto de Imbituba.
Segundo o prefeito Rosenvaldo, na época, a opinião da administração municipal era de que todo empreendimento, todo investimento que possa trazer renda, empregos e desenvolvimento para a cidade precisa ser analisado. “No caso da Cattalini, obviamente houve uma manifestação popular legítima contra o empreendimento, e se ela foi bem embasada tecnicamente ou não, é de se discutir. Mas o que a gente precisa é disso, poder e saber discutir com a população que tipo de investimento a gente quer”, disse, em maio.