Decisão foi tomada de forma unânime, em assembleia da Amurel realizada ontem
Os prefeitos dos 18 municípios associados da Amurel votaram por não retornar às aulas presenciais este ano na região. A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária, ontem. O encontro virtual contou também com secretários de Educação, técnicos da Amurel e da Fecam.
De acordo com a assessora técnica da Fecam, Gilmara da Silva, as oito associações de municípios, que já se posicionaram a respeito do assunto, decidiram pelo não retorno às aulas presenciais neste ano. Segundo Gilmara, a orientação da Fecam também é pela continuidade do isolamento social, levando em conta não só a situação epidemiológica, mas também a pedagógica. “A portaria 750 do governo do Estado é clara, entre outras coisas, ao estabelecer que só pode retornar às aulas com o plano de contingência pronto, o que não é o caso”, lembra Gilmara.
O presidente da Amurel e prefeito de Treze de Maio, Clésio Bardini, argumenta que vê mais riscos do que vantagens no retorno presencial: “Já temos 70% do período letivo transcorrido. Não vejo nenhuma razão para voltar agora”, defende Clésio. Da mesma forma e com argumentos e preocupações semelhantes, os demais prefeitos e secretários de Educação se manifestaram contrários ao retorno das aulas presenciais.
A secretária de Educação de Imbituba, Cristiane Tokarski Espezim, relata que o município fez uma pesquisa junto aos pais de alunos. O resultado apontou que 85% dos entrevistados não concordam com a volta às aulas presenciais.
Joares Ponticelli, prefeito de Tubarão, ratificou o posicionamento dos demais prefeitos, mas fez a ressalva de que as escolas não podem se negar a dar orientação pedagógica presencial aos alunos que necessitarem, desde que seguindo os protocolos conhecidos, como marcação de hora para atendimento, distanciamento e higienização.
Preocupação com alunos e opinião dos pais nortearam definição na região
Para o professor e prefeito de Rio Fortuna, Lindomar Ballmann, retornar neste momento não seria uma decisão viável. “Já estamos quase no fim do ano letivo. Até que tudo estivesse adequado conforme as normas, o ano se findaria. Valeria a pena neste momento? Acredito que não. A maioria dos pais não se sente seguro em mandar seu filho à escola agora. Os alunos já estão habituados às aulas remotas. Acredito que seria a melhor decisão continuar esse ano desta forma”, avalia o prefeito.
A mesma opinião é compartilhada pelo prefeito de Pedras Grandes, Vilson Tadeu Marcon, o “Xixo”. “Não estamos preparados para a forma presencial. Os professores não estão preparados, muito menos as crianças. Há um risco enorme ainda, ninguém pode negar. Não é momento para mudança de rota”, diz o prefeito.
Novas deliberações após plano
A reunião encerrou com a deliberação de que os prefeitos e secretários de Educação voltarão a tratar deste assunto assim que cada município e a Amurel tiverem seus planos de contingência construídos. O plano de contingência regional e o plano de contingência municipal para infecção pelo novo coronavírus são documentos que, em caso de agravamento da pandemia, definem o nível de resposta e a estrutura de comando correspondente a ser configurada.