A menos de duas semanas para encerrar o mandato, o prefeito de Jaguaruna, Edenilson Montini da Costa, e mais seis agentes públicos da cidade foram afastados dos cargos.
A decisão aconteceu na quinta-feira, após operação feita na prefeitura e secretaria de Obras. Nela, agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial Anticorrupção do Ministério Público (Geac) cumpriram 38 mandados de busca e apreensão em Jaguaruna, Treze de Maio, Tubarão, Laguna, Florianópolis, Imbituba e Sangão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
No cumprimento das diligências, foram recolhidos documentos, anotações manuscritas, cópias de processos licitatórios, dispositivos eletrônicos, cheques e aproximadamente R$ 125 mil em dinheiro em espécie.
O afastamento do prefeito e dos seis agentes públicos de Jaguaruna, que não tiveram os nomes divulgados pela polícia, aconteceu como medida cautelar, para evitar práticas criminosas. Além disso, foi decretada a indisponibilidade de bens dos investigados, tanto como meio de garantir o ressarcimento ao erário quanto para assegurar o pagamento de eventual pena pecuniária.
A reportagem do Diário do Sul tentou contato com o prefeito de Jaguaruna por telefone, mas o celular permanecia desligado até o fechamento desta edição.
Investigação de mais de 20 meses
A fase de campo é o resultado de mais de 20 meses de investigação que apura a prática reiterada de crimes de organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva e fraudes a licitações por agentes públicos do município de Jaguaruna e agentes privados.
Para possibilitar a efetividade das medidas de investigação, esta fase do processo tramita, por ora, em segredo de Justiça.
A operação foi batizada de sargento Vitto, em justa homenagem ao 3º Sgt. Marcos Antônio Vitto, integrante do grupo regional do Gaeco, em Criciúma, que participou ativamente das apurações e há um ano faleceu em serviço.
O sargento atuava há 22 anos na Polícia Militar de Santa Catarina, tendo passado pelo 4º Batalhão da PM, em Florianópolis, e pela Casa Militar do MPSC. Tornou-se membro do Gaeco de Criciúma em 2016, trabalhando desde então em conjunto com as Promotorias de Justiça na repressão ao crime organizado no Estado.
Ao longo de toda sua trajetória, Vitto teve o comportamento considerado como excepcional dentro da corporação e entre os colegas do Gaeco em
Criciúma.
Recebeu elogios por serviços prestados no policiamento ostensivo, além de homenagens pelos dez e 20 anos de serviço e por mérito pessoal, por meio de um brasão concedido em 2016.