Três em cada quatro profissionais de enfermagem já foram vítimas de agressão
Três em cada quatro profissionais de enfermagem ouvidos em uma pesquisa realizada em Santa Catarina afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência no exercício da profissão. O levantamento do Coren-SC, realizado com mais de 2,2 mil trabalhadores entre os dias 3 e 12 de agosto, mostrou que 74,8% foram vítimas e 57,8% não se sentem seguros no ambiente de trabalho.
Entre os profissionais que sofreram violência, 96,6% relataram agressões morais ou psicológicas. A violência física foi apontada por 18,6% e a sexual, por 7,3%. Também houve registros de racismo, injúria racial e xenofobia.
Os casos, para a maioria, não foram isolados: 73,5% disseram ter sofrido violência mais de uma vez e 15,9%, periodicamente. Apenas 10,6% relataram um único episódio.
Prevenção
“Quando quase a totalidade dos profissionais que sofreram violência aponta situações de caráter moral ou psicológico, precisamos olhar com muita atenção para aquilo que muitas vezes não deixa uma marca física, mas afeta profundamente o trabalhador”, afirma a presidente do Coren-SC, Maristela Azevedo.
Para o Conselho, o enfrentamento do problema exige medidas de prevenção, segurança institucional, apoio aos trabalhadores e responsabilização dos agressores. O Coren-SC também acompanha o PL 2672/2025, que prevê penas mais duras para crimes contra profissionais da saúde e da educação.
Apenas 36,7% das vítimas registraram a agressão
Apesar do alto índice de violência relatado pelos profissionais de enfermagem em Santa Catarina, pouco mais de um terço das vítimas afirmou ter feito registro formal das agressões.
Segundo a pesquisa do Coren-SC, apenas 36,7% dos profissionais que passaram por alguma situação de violência formalizaram o ocorrido.
A subnotificação é apontada pelo Conselho como um dos obstáculos para dimensionar o problema e desenvolver medidas de prevenção e proteção aos trabalhadores.
A orientação aos profissionais que forem vítimas de violência é registrar boletim de ocorrência e procurar também os canais institucionais disponíveis. O próprio Coren-SC pode ser acionado por meio de seus canais de atendimento e da Ouvidoria.
Entre os instrumentos disponíveis está o desagravo público, utilizado pelo Conselho na defesa de profissionais diante de situações relacionadas ao exercício da enfermagem. A entidade também atua junto aos gestores e por meio de manifestações institucionais.
“É direito do profissional receber apoio e ter sua dignidade respeitada no ambiente de trabalho. Queremos que as pessoas procurem o Conselho e saibam que podem contar conosco”, afirma Maristela Azevedo.