Sabrina Corrêa Fotografia/DS Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, comemorada até amanhã, o pequeno Miguel Pinter Fernandes, de quatro anos e meio, de Tubarão, é um exemplo de superação e alegria. E neste momento de pandemia do coronavírus, ele e sua família tiveram suas rotinas alteradas mais uma vez, para se adequarem às mudanças e isolamento social que o período impõe.
Miguel nasceu com síndrome de Down, má formação no estômago, intestino e cataratas. Aos oito meses de idade, passou a frequentar a Apae em Tubarão e, desde o ano passado, também vai para a Escola Álvaro Braz Fernandes, na Guarda margem esquerda, que é inclusiva. Mas, com a pandemia do coronavírus, o pequeno e sua família viram sua rotina, cheia de atividades até então, mudar de uma hora para outra.
“Ele tinha escolinha todos os dias, Apae duas vezes na semana e um reforço particular de fonoaudióloga, além de acompanhamentos médicos. Com a chegada da pandemia, paramos tudo. Ele sentiu muito. Ficou agitado, estressado. Tinha dias que eu já nem sabia mais o que fazer, fora o medo de tudo que estamos vivenciando”, conta a mãe, Daniela Bez Pinter Fernandes.
Mas ela diz que, com o passar do tempo, Miguel foi se tornando mais tranquilo e se adaptando bem. “A parte de terapias eu tento fazer ao máximo o que consigo com ele. Miguel é um menino esperto, aprende rápido. Mas ele tem um atraso na alimentação, ainda não pode mastigar, e é isso que me preocupa, porque eu tento o meu máximo, mas não consigo ser como uma profissional da área. E tenho certeza que nesta parte ele terá consequências de um período maior de aprendizagem”, revela Daniela.
A mãe ainda diz que no começo ele pedia muito para ir para a escola, queria ver os amiguinhos. “Hoje ele já quase não fala mais sobre isso. Este é meu medo, de uma nova adaptação, porque ele anda bem envergonhado”, lamenta. “Mas, ao mesmo tempo, ele desenvolveu muito a fala neste período”, completa.
Para ajudar durante todo esse tempo, os pais de Daniela são sua rede de apoio uma vez por semana. “Além do meu marido, que é muito parceiro”, pontua.
A Apae e a escolinha frequentada por Miguel também estão presentes, mesmo à distância. “Temos um grupo de WhatsApp e a escolinha manda atividades uma vez por semana. Além disso, a Apae também mantém contato constante para o acompanhamento do Miguel. Agora, só esperamos que tudo isso passe e possamos voltar à nossa rotina de antes, com ele evoluindo ainda mais no seu crescimento intelectual”, ressalta Daniela.
Apae adapta atividades durante a pandemia
Durante o período de pandemia, a Apae de Tubarão está seguindo todas as orientações da Fundação Catarinense de Educação Especial e das Federações Estadual e Nacional das Apaes, além das determinações de decretos municipais, para dar a todos os alunos os atendimentos necessários na área educacional.
De acordo com Sulani Zanini Pizzolo Stüpp, diretora pedagógica da Apae em Tubarão, o setor pedagígico não deixou de manter o vínculo entre escola e aluno. “A equipe pedagógica, junto com seus professores, prepara todas as atividades complementares, que são realizadas com o auxílio dos pais em ambiente familiar”, explica.
“É muito gratificante ver os pais enviando videos e relatos das crianças produzindo estes trabalhos. Podemos perceber, num ano totalmente atípico para todos, esta aproximação, mesmo no distanciamento, entre as famílias e a escola. Isso resulta num melhor aprendizado do nosso aluno”, avalia.
“Em virtude de todo este trabalho remoto, foi criado um canal de comunicação com a familia, via WhatsApp. Todos estes canais são supervisionados pelos coordenadores e direção pedagógica. Através deles são enviadas atividades, informações, videoaulas e orientações para que os alunos possam realmente alcançar o objetivo, que é a produção e realização das atividades”, pontua Sulani.
Outra modificação na rotina dos alunos são os atendimentos multidisciplinares, na área de reabilitação. Segundo Janaína Esmeraldino, coordenadora do centro de reabilitação, são realizadas orientações e atendimentos de forma remota neste período de pandemia. “Sabemos que os objetivos de atendimento não serão cumpridos na sua totalidade, porém, com o atendimento remoto é possível manter um vínculo e um olhar do profissional quanto às situações de urgência que possam existir. Além disso, o aluno continua realizando as atividades sugeridas pelo profissional, evitando que tenham perdas significativas em seu desenvolvimento, seja motor, intelectual ou sensorial. Para a realizar estes atendimentos e orientações foi criado um cronograma de ligações por área”, explica.
Programação alusiva à data
Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, a Apae de Tubarão realiza até amanhã uma série de atividades para marcar a data, com vídeos sobre prevenção e inclusão social. O tema deste ano é “Protagonismo empodera e concretiza a inclusão Ssocial” . Hoje, às 10h, haverá uma carreata pelas ruas da cidade. Já amanhã, uma live às 10h falará sobre o protagonismo através do mercado de trabalho e haverá ainda uma missa, às 19h, na Cripta da Catedral, que será transmitida pelas redes sociais.
Micheline Zim