Do giz, livro e quadro em sala à tela do computador nas aulas remotas. Entre as profissões que mais transformações sofreram, está a de professor. Da noite para o dia, o docente teve que se readaptar à nova realidade vivenciada na pandemia.
O professor que saiu da escola em março de 2020, para o isolamento, não é mais o mesmo que retornou à sala de aula, em fevereiro deste ano. O profissional de educação precisou aprender a usar as tecnologias a favor do ensino e a replanejar e reorganizar aulas e atividades, antes feitas presencialmente, para um universo totalmente virtual. Depois, o docente voltou “ao chão da escola” modificado.
“A forma das relações e interações, transformada pelas regras impostas pela pandemia, alterou a rotina da escola. Algumas atividades sofreram mudanças, pois, para manter o distanciamento, foi preciso ter pouca interação coletiva. Novas práticas e dinâmicas tiveram que ser reinventadas com os alunos”, explica o professor de História Marcel Martins Guarezi, da EMEB Santo André, em Capivari de Baixo.
Marcel, que atua há sete anos na profissão, escolheu ser professor por querer promover a diferença e contribuir para a melhoria da educação. Além disso, ele diz que diante da pandemia foi preciso ter “um novo olhar sobre a educação e a arte de ensinar dentro de uma perspetiva do distanciamento social”.
“Os alunos sentiram a falta de estarem dentro de uma sala de aula, interagir com os professores e colegas. Além disso, estar dentro de uma sala de aula, apesar das restrições, faz toda a diferença no ensino-aprendizagem”, pontua Marcel.
A professora de Ciências Naturais Aline Trichês Savi, da mesma unidade escolar, atua há 22 anos em sala de aula. “Acredito que a educação me escolheu, por isso amo tanto o que faço”.
Para ela, a pandemia serviu para que os docentes começassem a repensar a maneira de ensinar. “Mesmo favorável ao uso de computadores e celulares, no início achei bem difícil essa mudança. Ainda somos reféns do ensino presencial. Prefiro o olho no olho, a mão levantada para tirar dúvidas”, diz Aline.
Para ela, o retorno à sala de aula foi uma mistura de sentimentos. “De um lado, a alegria por voltar à ‘normalidade’; de outro, a apreensão pelo que estaria à frente. No entanto, o papel do professor é, como nunca, realmente indispensável”.
Há dez anos como professora de Arte, Solange Scremin Mendes, que também atua na EMEB Santo André, diz que nada substitui o papel do professor. “Foi um desafio esse período que vivemos, tanto para nós quanto para os estudantes. Cada dia é um novo aprendizado, um novo desafio, mas para o professor nada é impossível e conseguimos provar isso”, acrescenta Solange.
Educação
A EMEB Santo André faz parte do projeto Educação do DS, junto com outras escolas da rede municipal de ensino de Capivari de Baixo.
Tatiana Dornelles