A Polícia Civil investiga o caso de um pedreiro que é dono de uma empresa, sediada em Tubarão, envolvida em uma fraude de mais de R$ 200 milhões. O nome dele teria sido usado em um golpe que começou há três anos e só agora foi desmascarado.
A história foi revelada no último domingo pela Record TV. Segundo a reportagem, com promessas de ganho fácil, a empresa teria deixado vítimas em todo o país ao parar de pagar os valores prometidos aos investidores no começo do ano. Alguns clientes contrataram um advogado especializado e começaram a investigar por conta própria o caso. Eles descobriram que a firma está registrada em nome do pedreiro, sem formação e sem conhecimento em negócios.
“Chamou a atenção um aporte feito no capital social de R$ 90 milhões por parte de um dos sócios. E esse sócio não tinha o perfil socioeconômico de alguém que tinha aportado R$ 90 milhões. Fizemos uma pesquisa e constatamos que ele era pedreiro. Ele receberia uma ajuda mensal, mas algo pequeno, inexpressivo até”, explicou o advogado Jorge Calazans, criminalista especializado em fraudes financeiras.
A empresa dizia vender celulares e outros produtos importados por meio de plataformas digitais. O negócio seria rentável e aberto aos investidores. “O grupo oferecia às pessoas a oportunidade de fazer parte da empresa, com planos de investimento de até R$ 200 mil. A promessa era de um retorno de 20% ao mês, mais do que qualquer aplicação financeira. Mas, de acordo com as investigações, não havia nenhum negócio lucrativo e tudo não passava de uma pirâmide financeira”, ressaltou a reportagem.
A matéria mostrou que o pedreiro leva hoje uma vida simples, em Balneário Gaivota, e tem dificuldade para pagar as contas. Três anos atrás, ele emprestou os documentos para a abertura da empresa com a promessa de ganhar 2% dos lucros. “Se ele teve algum erro, foi o de ser ingênuo. Porque era muito fácil se apaixonar pelo que eles apresentavam. Só que o que eles apresentavam não era real”, disse a advogada Rossane Fontoura, que representa o pedreiro.
O advogado Jorge Calazans diz que o grupo fez quase 30 mil vítimas em todo o Brasil e movimentou cifras que passam dos R$ 200 milhões. Parte dos recursos seria desviada para a conta dos gestores. As investigações apontam que esse não seria o primeiro golpe aplicado pelos envolvidos, que podem responder pelos crimes de estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
O que dizem os envolvidos
Já o advogado César Paganini, que representa os empresários envolvidos, nega que a empresa citada na matéria fosse uma pirâmide financeira e apresenta outra versão para o registro em nome do pedreiro. “Robson era o sócio-administrador com 99% da empresa. Ele tinha suas retiradas mensais, a empresa era saudável, até então vinha cumprindo com as suas obrigações. Robson recebia os percentuais a ele destinado de forma direta, em dinheiro ou através de depósitos em nomes de terceiros, cujos os quais ele requeria via WhatsApp. Inclusive, nós estamos com as ações de dissolução de sociedade e de prestação de contas de tudo aquilo que outrora vinha sendo feito, em favor da empresa, pelos nossos clientes, e estamos aguardando as soluções legais”, contou o advogado.
A matéria da Record TV foi até a sede da empresa, na avenida Marcolino Martins Cabral, em Tubarão, mas o local estava com as portas fechadas. A matéria mostrou ainda que a energia do local foi cortada por falta de pagamento, mas que as contas continuam chegando em nome do suposto laranja, o pedreiro.