Laguna deve começar a construir, já no ano que vem, a primeira escola bilíngue da região voltada à inclusão social de estudantes com deficiência auditiva e que terá a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como base de ensino.
Os recursos já estão garantidos pelo governo federal e, entre os seis municípios no país que serão beneficiados com a obra, Laguna receberá o maior investimento do país. Serão R$ 5 milhões (sendo R$ 5 mil de contrapartida municipal) destinados para o colégio, que será feito em um terreno no bairro Portinho.
De acordo com a secretária de Educação de Laguna, Juliana Fagundes de Carvalho Luz, a escola bilíngue terá capacidade de atendimento de até 120 alunos de toda a região, conforme a demanda já levantada. O projeto passará agora por adequações para, após, ser dado início à licitação. “Seremos uma referência de educação da Língua Brasileira de Sinais como primeira língua para a pessoa surda”, pontua.
Juliana diz que a possibilidade de o município receber a construção da unidade foi apresentada pela diretora de Políticas e Educação Bilíngue de Surdos do Ministério da Educação, Crisiane Bez Batti, que é lagunense e foi uma das fundadoras da Associação Lagunense de Pais e Amigos dos Surdos (Alpas).
Destino diferente
“Sempre imagino como minha vida teria sido diferente se eu tivesse frequentado uma escola bilíngue, se eu tivesse contato com a libras e com a comunidade surda mais cedo – teria me poupado muito sofrimento. E é essa a oportunidade que a escola bilíngue em Laguna oferecerá para os surdos – a possibilidade de serem quem são – podendo aprender sua língua, se comunicar e aprender de forma confortável, de ter acesso à cultura e à cidadania”, disse Crisiane Bez Batti, em uma carta enviada à Câmara de Vereadores de Laguna e lida pela secretária de Educação na última sessão.