Descendentes de imigrantes vindos da Letônia para Orleans, os irmãos João Reinaldo, Viganth Arvido e Carlos Purin puderem reviver parte da trajetória de seus antepassados. Ao visitar o Museu ao Ar Livre, que fica no Univabe, os irmãos tiveram contato com objetos que foram de seus familiares e hoje estão em exposição no espaço cultural.
Os Purin nasceram em Orleans e também moraram na comunidade de Rio Novo, mas, quando ainda muito pequenos, os pais foram para Curitiba, com o intuito de dar oportunidades de estudos para os filhos. Hoje com 86 anos, João observou os maquinários e lembra que chegou a trabalhar com o arado, carro de boi e de carretão. Ele se diz emocionado por estar em contato com o lugar, que conta a sua própria história, recordando que plantava arroz, feijão, batata, mandioca e milho.
Os avós vieram da Letônia em 1891 em navios separados. Depois se conheceram, casaram no Brasil e tiveram filhos, sendo que um deles, pai dos irmãos Purin, está sepultado no cemitério do Rio Novo, assim como uma tia.
Carlos, o mais novo dos irmãos, com 72 anos, lembra de o pai ser cliente das casas de farinha. Ele saiu de Orleans ainda com dez anos, em setembro de 1960. “Nosso coração ainda mora aqui. É muito saudosismo estar nos lugares que a gente viveu. Temos ligações muito fortes”, afirma o descente.
Os irmãos puderam reviver suas histórias junto ao grupo de quase 20 pessoas, descendentes letos, que visitou o museu. A maior parte, 16 pessoas, veio de Curitiba, e outros dois de São Paulo.
Ainda na visita, eles estiveram na comunidade de Rio Novo, onde ainda moram os descendentes vindos da Letônia.
Quem ajudou a organizar a vinda das pessoas foi Samuel Slengmann, 35 anos, que hoje mora em Criciúma. Ele é neto de Vildemar Slengmann, que construiu uma máquina de lavar, que está em exposição no museu. “Meu avô fez para a tia dele, Álide Slengmann Elbert”, relatou. “É uma emoção gigante. A luta que os antepassados tiveram e o carinho que o pessoal de hoje tem em preservar essa história que está aqui tão pertinho de nós”, declara Samuel com lágrimas nos olhos.
Tecnologia ao longo dos anos
Segundo o museólogo do Unibave, Idemar Ghizzo, os imigrantes vieram cumprir a política de ocupação demográfica do governo do Império, onde os agentes foram em busca de ocupar esses lotes que eram vendidos pelas empresas. Foi onde os letos vieram para o Rio Novo e se instalaram, ajudando a desenvolver parte da tecnologia que está disponível no museu. “Não dá para dizer se é dessa ou daquela etnia. Foi um conjunto de imigrantes que desenvolveu”, afirma o estudioso. Conforme Idemar, grande parte dos imigrantes que ocuparam a região veio pelo Porto da França, para as colônias de Azambuja e de Orleans. O objetivo era sustentar a sua família e depois pagar os seus lotes. O trajeto da Europa, tinha como a primeira parada o Rio de Janeiro ou o porto de Santos. “Lá, eles ficaram um tempo até restabelecer a sua saúde e ganhar energia para continuar a viagem. Depois, eles viajaram até o porto de Florianópolis, depois a Laguna. Em embarcações menores para Tubarão, Gravatá (hoje Gravatal) ou Braço do Norte. Seguindo de mulas, carro de boi, ou a pé até os seus lotes. Os belgas, por exemplo, embarcaram na Europa e só vieram pisar em terra firme em Gravatal”, relata o museólogo.