Marina de Albuquerque
Jornalista
Hoje pela manhã cedinho abri a janela em direção Nordeste e vi o sol nascendo. Ele reflete no espelho que cobre um prédio inteirinho na direção oposta.
Lembrei-me do quanto gosto do nascer do sol. Como é magnífica a exuberância das cores da natureza. Uma obra de arte. Foi tocante identificar como preciso estar feliz, motivada e produzindo, para enxergar tamanha beleza. Afinal, o que enxergamos é uma extensão do que sentimos, pois um dia nublado de chuva tem seu esplendor quando estamos apaixonados, por exemplo.
De dentro pra fora, organizamos o mundo e o vemos a nosso modo, portanto, feio ou bonito é a maneira de enxergar.
O mistério está em desvendarmos o que pode despertar dentro de nós o que precisamos para estarmos bem. E por mais que nos digam que estar infeliz é normal, não nos conformamos, queremos a alegria de estar pleno.
Nosso objetivo no mundo é sermos completos. E são inúmeros e complexos os fatores que nos levam a isso. Contudo, mesmo quando desvendamos os mistérios da satisfação, não podemos viver só. Todos têm que também cumprir este papel de busca. O todo precisa estar completo. Acontece que quando estamos completos e o outro não, surgem por consequência: as lutas, os desconfortos, os desencontros, as frustrações, as guerras e conflitos.
Então, testamos as nossas competências; aqui entra, em consideração à habilidade de cada um, em lidar com situações conflitantes e exercer a empatia, colocar em prática virtudes, tornando-nos, assim, responsáveis por entender o outro, exercitamos o nosso autocontrole, a tolerância e a compreensão.
Vamos lapidando o nosso caráter e conhecendo a nós mesmos e reconhecendo no outro os limites, as semelhanças, as diferenças sutis e evidentes, nos espelhando num contraste humano.
Ao pensar no amor romântico, por exemplo, devemos ter consciência de que o ser amado está neste processo de construção e aprendizado e que não devemos depositar expectativas ilusórias em cima de um outro alguém que é um humano em evolução como nós. Para tanto, o comportamento de harmonia e respeito deve continuar mesmo após um certo nível de intimidade física e emocional.
É muito comum, conforme um relacionamento vai criando laços, acontecer um descuidado com o limite que podemos ultrapassar. Este espaço invisível, tão delicado, onde são testados mais intensamente nosso caráter paciente, amoroso, independente das condições e do que esperamos que o outro faça por nós.
Além disso, querer conhecer o outro, mesmo que seja de forma lenta, entendendo e apreciando as diferenças, sem julgamentos desnecessários, com nossas identidades, de preferência sem alterá-la para agradar o outro, é muito importante, pois seremos sempre diferentes, apesar de fazermos parte da mesma espécie.