Os depoimentos dos ex-secretários de Estado da Saúde, Helton Zeferino, do ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, e da servidora pública exonerada da função de superintendente de gestão administrativa, Marcia Regina Pauli, duraram, ao todo, mais de dez horas na CPI dos Respiradores, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Os três negaram ter responsabilidade por possíveis irregularidades no processo.
Marcia Pauli apontou o ex-secretário de Saúde, Helton Zeferino, como o responsável pela definição da aquisição dos equipamentos da empresa Veigamed. “A negociação foi fechada dia 26 de março pelo secretário Helton, que presidia o Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde)”, disse.
Questionada em como a proposta da Veigamed chegou até ela, Márcia disse que recebeu pelo WhatsApp de Douglas Borba. De acordo com ela, o então secretário, que “sempre falava em nome do governador”, passava dados sobre várias empresas deste modo. “Para nós, no Coes, vinha no e-mail a orientação para observar que o pedido era do Douglas. Lembro de algumas frases como ‘é decisão de governo, você tem até o meio-dia para atender’ e ‘vocês estão com excesso de preciosismo’”, relatou.
Já o ex-secretário de Estado da Saúde garantiu que jamais autorizou o pagamento antecipado dos 200 respiradores mecânicos, comprados pela pasta da qual era titular, para equipar leitos de UTI destinados ao tratamento da covid-19.
Ele disse que houve falhas no processo, explicou que negociou e definiu o valor dos equipamentos, que a proposta chegou a ele por meio da equipe de saúde, mas destacou várias vezes que não ordenou o pagamento antecipado.
Por fim, o ex-chefe da Casa Civil Douglas Borba garantiu que não teve qualquer participação nesse processo e que só ficou sabendo do pagamento antecipado de R$ 33 milhões no dia 22 de abril, quase 20 dias depois da conclusão da compra. Ele classificou o processo como desastroso, no qual “ritos não foram obedecidos”, e atribuiu toda a responsabilidade à Secretaria de Estado da Saúde.