Multa é por danos provocados pelo entupimento do emissário oceânico
A Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama) multou a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) no valor de R$ 2.900.000,00. A multa, aplicada na última sexta-feira, é referente aos danos ambientais provocados pelo entupimento do emissário oceânico, responsável por drenar o esgoto da praia do Mar Grosso.
O entupimento, que, segundo a Casan, teria sido provocado por uma grande quantidade de areia, foi registrado nos últimos dias de dezembro. O sistema obstruído fez com que o esgoto corresse a céu aberto, gerando a reclamação de moradores e turistas. O entupimento foi resolvido no primeiro dia de janeiro.
Segundo a presidente da fundação, Deise Xavier Cardoso, vários critérios foram avaliados para que a Flama chegasse até esse valor de pena. “A empresa é de grande porte, e os problemas causados pelo entupimento do emissário submarino geraram um desconforto grande à população, além do dano ao meio ambiente”, explica Deise.
No último sábado, o emissário mais uma vez apresentou problemas, desta vez causados pela explosão de um transformador. A falta de energia ocasionou uma pane no painel que liga as bombas do emissário, e o esgoto acabou vazando, novamente, em algumas ruas do Mar Grosso. A situação, de acordo com a Casan, foi resolvida ainda no fim de semana.
Em nota enviada ao DS, a Casan disse que, “apesar da constante manutenção, a obstrução do emissário submarino foi um acidente pontual e excepcional, já solucionado com apoio de uma empresa especializada em operações de alto-
mar. Desde então, Casan e prefeitura trabalham em conjunto na reavaliação de todo o sistema de esgotamento e o de drenagem pluvial para evitar quaisquer transtornos no saneamento de Laguna. O auto de infração está sendo analisado pelas áreas técnicas, que se manifestarão no prazo estipulado”.
Operação sem data para acabar
Os problemas gerados pelo esgoto a céu aberto e o frequente entupimento da rede pluvial, na região do Mar Grosso, fizeram com que a Fundação Lagunense do Meio Ambiente iniciasse a Operação Lacre Ambiental. Desde o começo do ano, a Flama, em parceria com a própria Casan e outros órgãos da prefeitura de Laguna, tenta identificar esgotos clandestinos. A presidente da Flama explica que diversas ligações irregulares já foram lacradas neste começo de ano.
“É um problema minucioso, e que demanda tempo. Em muitos casos, é preciso abrir a rua e quebrar calçadas para achar as irregularidades. Depois, ajeitamos a situação e precisamos arrumar tudo de novo, até repavimentar os espaços. Também já aplicamos multas em prédios e casas que apresentavam rede irregular. Entre os principais problemas está a ligação do esgoto na rede pluvial”, conta Deixe.
Entre 11 de dezembro e o dia 8 de janeiro, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) realizou cinco análises de água na região. Em todas elas, a praia do Mar Grosso foi apontada como própria para banho.
Guilherme Corrêa