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Boppré: vocação despertada na infância

04/09/2020 06:00

De uma família de 11 irmãos, Reginaldo Boppré - o quinto filho - teve a vocação para a medicina despertada ainda criança e, desde então, começou a dedicação ao estudo, ainda na escola fundada por seu bisavô, Júlio Boppré, no bairro Madre, em Tubarão, onde morava com toda a família.


Mas aos 12 anos, quando não havia mais a possibilidade de continuar os estudos na escola municipal, ele disse ao pai que desejava ser médico e que queria permanecer estudando para alcançar seu sonho. Foi, então, morar com os avós maternos em Laguna, onde pôde dar continuidade às aulas enquanto também trabalhava no posto de gasolina do avô.


Ao completar 17 anos, foi para São Paulo e, como seus irmãos, foi trabalhar como garçom para conseguir juntar dinheiro para concretizar seu objetivo maior: estudar e se formar médico. Porém, a rotina de trabalho não permitiu que Reginaldo pudesse se dedicar como desejava para ser aprovado na faculdade de Medicina.


Aos 23 anos, voltou para Tubarão para pedir um conselho ao pai. Com o dinheiro que conseguiu juntar como garçom em São Paulo, ele poderia seguir dois caminhos. Um seria abrir um restaurante e o outro, dedicar-se exclusivamente aos estudos para fazer o tão desejado curso de Medicina. Então, perguntou ao pai o que deveria fazer.


A resposta do pai, que mesmo só tendo estudado até “o quarto ano primário”, mas que tinha a sabedoria adquirida na vida, foi esta: “Se usar o teu dinheiro para abrir o restaurante e ele não der certo, vai perder tudo o que conseguiu juntar. Mas, se usar o dinheiro para estudar e fazer o curso de Medicina que tanto queres, isto ninguém nunca vai te tirar”.


E foi assim, com o sábio conselho do pai e a vocação nata, que Reginaldo Boppré foi para Florianópolis, pagou um ano adiantado de cursinho e de pensão e se dedicou como sempre quis apenas ao estudo. O esforço foi recompensado e ele foi aprovado em Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tinha início ali a trajetória de um médico abnegado, dedicado e que deixou seu legado de amor e dedicação à profissão, que lhe rendeu tanto reconhecimento pelos pacientes, alunos, familiares e companheiros de profissão.

 

Dedicação incondicional à família

O caçula dos 11 irmãos, Alberto Boppré Filho, acabou sendo o companheiro de uma vida inteiro de Reginaldo. Os dois tinham 18 anos de diferença de idade, mas a mesma profissão e especialidade: médicos angiologistas.


Alberto ainda se emociona ao falar do irmão, mas o orgulho que sente de toda a trajetória e de toda a dedicação de Reginaldo à família e à profissão se sobrepõem à dor.


Ele conta que o pai morreu três meses antes de Reginaldo se formar em medicina. Alberto tinha apenas 11 anos na época e a outra irmã mais nova, 13. “Então, Reginaldo acabou se tornando nosso pai. Ele assumiu toda a responsabilidade de pai para nós, não nos deixando faltar nada”, lembra.


Quando foi fazer o vestibular, o primeiro desejo de Alberto era veterinária. Foi aprovado, mas Reginaldo perguntou se ele não gostaria de fazer medicina para que depois os dois pudessem trabalhar juntos no futuro. “E assim ele pagou todo o meu estudo pré-vestibular e minha faculdade, já que fui aprovado para a Furb, em Blumenau, que é particular. Me formei, fiz a residência e em 2004 voltei para Tubarão e começamos a trabalhar juntos. Coisa que fizemos juntos até ele ficar com esta triste doença, que o tirou de nós”, conta.


“Costumo dizer que o Reginaldo foi meu irmão até os 11 anos, depois foi meu pai e, por fim, era meu companheiro de trabalho, meu confidente, meu melhor amigo”.

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Micheline Zim

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