Thaise Albernaz/DS Um momento de interação chamou a atenção de pesquisadores do Instituto Australis. Foi feito, durante monitoramento na segunda-feira, o primeiro registro de orca na APA da Baleia Franca na temporada reprodutiva deste ano. Mas o que chamou a atenção foi a forte interação entre as orcas com um par de baleias francas.
O encontro entre as espécies ocorreu na segunda-feira. Inicialmente, o grupo formado por quatro indivíduos da espécie Orcinus orca foi avistado na praia de Ribanceira, em Imbituba, onde também estavam três grupos de mães e filhotes de baleia franca.
As orcas se deslocaram no sentido Sul e foram registradas pelos pesquisadores na Praia D’água, Praia da Vila e Itapirubá Norte, onde havia outros grupos de baleias francas. Então, foi possível registrar uma forte interação entre um par de mãe e filhote de baleias francas com algumas orcas.
As orcas, chamadas de baleias, mas são da família dos golfinhos, recebem o título de baleias assassinas justamente por serem predadoras de outras espécies de baleias, incluindo a baleia franca. No entanto, a interação observada entre os animais nesta segunda-feira não apresentou nenhum comportamento de predação.
Segundo Eduardo Renault, gerente de pesquisa do Instituto Australis, serão analisadas as imagens obtidas para verificar a qual ecótipo essas orcas pertencem. “Este registro, inédito na região, é muito importante para saber que existem potenciais predadores no berçário brasileiro, o que pode ser uma pressão negativa para a recuperação da espécie. A conservação das baleias francas depende não só das nossas ações de preservação do meio onde vivem, mas também de conhecer os ambientes em que elas ocorrem”.