Prof. Maurício da Silva
Mestre em Educação
A morte de 19 pessoas e o gravíssimo passivo ambiental, decorrentes do rompimento de barragem, em Mariana (MG), em 2015, deveriam ter sido suficientes para evitar as mortes e os danos ambientais, ainda maiores, na última semana, em Brumadinho, também em Minas Gerais.
Da mesma forma, a morte de 187 pessoas no incêndio do Edifício Joelma (SP), em 1974; de outras 100, na Boate Estação (EUA), em 2003; e de outras 194, na boate República Cromañón ( Argentina), em 2004, também não foram suficientes para evitar a morte dos 242 jovens no incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro de 2013.
Impõem-se as perguntas: e as mortes na Boate Kiss e em Brumadinho são suficientes para evitar outras? Ou, diminuída a comoção, tudo será esquecido e inicia a contagem regressiva para o próximo desastre?
É dito que no Brasil funciona a ‘pedagogia da tragédia’. Que as providências ocorrem depois do desastre, em vez de antes, para evitá-lo. No entanto, os fatos acima comprovam que nem a ‘pedagogia da tragédia’ funciona mais. Os eventos trágicos se sucedem, e com gravidade cada vez maior, como o da última semana.
Insistimos nos seminários e na cobrança das ações para desassorear o rio Tubarão, porque, para nós, as 199 mortes na enchente de 1974 são mais que suficientes.
Na verdade, uma morte deveria ser suficiente para mobilizar as ‘forças vivas’ com o objetivo de evitar ou pelo menos minimizar os riscos de ocorrer a próxima morte.
A primeira tragédia, em tempos idos, poderia ser considerada uma fatalidade. A repetição, e da mesma forma, constitui criminosa omissão, que deveria ser punida no limite, mas no rigor da lei.
A prevenção, em todos os aspectos, custa menos e é mais eficiente. Até porque vidas não podem ser restauradas.