Felipe Ffelisbino
Professor
O legado de uma liderança se constrói durante o exercício de sua missão, legitimando-o como parte do todo. Entretanto, o ser humano tende a tirar suas conclusões a partir das suas próprias percepções e não da realidade dos fatos. Esse é o jeito certo de julgar errado e gerar injustiças que acabam impactando na sociedade, causando sofrimento, que pode levar a uma perda da sintonia, desalinhando o líder da sua base – perdendo o fio condutor.
Sem dúvida, a injustiça provoca um sentimento interno que diz ao universo o quanto está insatisfeito, o quanto se sente frágil e vítima da circunstância.
Agindo assim, o líder retém o sofrimento na sua alma, ao invés de transmutá-lo pela força da sua consciência sobre os fatos e seus atos. A injustiça tem que ser ressignificada pelo líder, encontrando o que se deve aprender com ela.
O líder é fortalecido pela injustiça quando ele é abundante e cheio de possibilidades para mudar a vida, trazendo prosperidade às oportunidades e aprendizados para mais perto de suas conexões, que esperam por ele.
A vulnerabilidade é a base para a (re)construção dos relacionamentos humanos, assim o líder não pode ter constrangimento de mostrar seus pontos fracos, ou falhas, transcendendo o seu tempo, pois essa é uma das principais características dos grandes líderes.
Luther King, um líder e injustiçado, afirmou: “A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar. Qualquer ação que afeta um diretamente afeta todos indiretamente”.
Por isso, eu defendo que a verdadeira liderança trabalha para garantir que todos prosperem juntos, valorizando o coletivo, em vez do agir individualmente.
O líder injustiçado tem a seu favor a possibilidade do equilíbrio e da coragem de ser extremo. Mesmo que muitas pessoas entendam o extremismo como algo ruim, as pessoas extremas fogem do status quo e aceleram mudanças, transformando ideias em propósito, de forma que as pessoas descubram em que elas acreditam como certo e corram atrás disso – reativando aquele fio condutor.
Nelson Mandela, líder que ficou preso 27 anos – como terrorista comunista – tornou-se ainda mais forte após a prisão. Aos 72 anos, em 1990, Mandela foi solto e tornou-se presidente da África do Sul, de 1994 a 1999.
Entender o que torna uma liderança sólida é uma questão complexa e multifacetada. Então, os líderes devem se esforçar para ser, emocionalmente e intelectualmente, equilibrados, corajosos e ágeis, capazes de modular seu estilo de liderança conforme necessário, para se reconectar àqueles que anseiam por seus feitos.