O surto do coronavírus está mudando dramaticamente a maneira como as pessoas vivem...
Muitas dessas mudanças serão temporárias, mas em outras epidemias foram constatadas ao longo da história mudanças profundas na sociedade.
Na educação, nós somos conhecidos pela tradicional ação de privilegiar o contato físico, portanto necessitamos urgentemente recriar o modelo educacional, precisamos apostar em um novo modelo de sistema, tornando outras alternativas de ensino possíveis, assim facilitando a dinâmica de trabalho do profissional da educação.
A situação momentânea exige mudanças, apontando para uma poderosa consciência do que é possível para nós no futuro da educação.
Assim, pretendemos discutir algumas relações entre coronavírus e educação não presencial.
A educação não presencial não se restringe à educação a distância, pois harmoniza o conjunto de processos de ensino e aprendizagem
realizados pela mediação tecnológica ou não, possibilitando a criação de novos espaços, inaugurando um ensino misto na educação básica.
Há anos convivemos com provocações que anunciam o aprofundamento do processo tecnológico e seus desdobramentos na educação.
A tecnologia se impõe como condição para a aprendizagem, porém requer muita parcimônia, assim, não querendo defender o tecnológico, nem reconhecer que a exclusão digital pode comprometer o desenvolvimento da aprendizagem dos nativos digitais e, em certo sentido, o próprio desenvolvimento do país.
A desigualdade impera em todo o território nacional, de diversas formas; professores que não sabem como podem aproveitar esta tecnologia para melhorar suas performances, bem como alunos que estão a aquém da sonhada infraestrutura escolar e familiar desejada.
Na pandemia, mesmo com encaminhamentos uníssonos, salvando o calendário letivo, fica claro que a educação on-line ainda está longe de ser uma realidade possível para os alunos carentes, do mesmo modo que não representa uma realidade ideal para os mais abastados economicamente.
O domínio digital continua sendo um desafio político, social e pedagógico, em que urge a definição de orientações e de políticas públicas para este contexto, principalmente políticas para a formação e capacitação dos profissionais da educação nesta direção.
Necessitamos trazer a legislação vigente da educação para este século.
Logo, os professores precisam estar atentos à dinâmica de aprendizagem, ou seja, dispostos a explorar os recursos virtuais para a realização de atividades interativas e desafiadoras que sejam capazes de cativar os alunos para os estudos.
Diante desta constatação, a presidência do Fórum Nacional dos Conselhos e Estaduais e Distrital de Educação – FNCE reuniu-se no último dia 2 de abril de 2020, por videoconferência, para discutir proposições de abrangência nacional, idealizando contribuir com as mudanças profundas na política educacional do país, inclusive apontando indicativos para a adequação da LDB aos cenários atuais, bem como debatendo a necessidade da retomada de discussões de encaminhamentos concretos para a efetivação de um Sistema Nacional de Educação que balizará a organização da educação.
O FNCE tem um papel fundamental neste momento vivido pela educação brasileira, com a missão de apontar o caminho a partir das demandas advindas de suas bases, atendendo às imposições da contemporaneidade, “pois se navegar é preciso”, inovar é decisivo, e defender é imperativo.