Maurício da silva
Presidente da Fundação Municipal de Educação
No dia 7 de setembro de 2022, o Brasil comemora o bicentenário da independência de Portugal. Manifestações, oficiais ou não, caracterizam os diferentes momentos da recente história do país.
Nos anos de 1960, sob os efeitos do populismo dos presidentes Getúlio, Juscelino e Jânio, as festividades de 7 de setembro restringiam-se aos desfiles cívicos e militares como demonstrações de patriotismo. “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil” — trecho do Hino à Independência – parecia ser o sentimento dominante.
Nos anos de 1970 e 1980, sob a égide da ditadura militar, que anunciava o ‘Milagre Brasileiro’, paralelamente aos desfiles oficiais, registraram-se protestos contra a truculência do regime, contra o “entreguismo do Brasil aos estrangeiros” — via agravamento da dívida externa — e contra o arrocho salarial. Faixas, cartazes e pichações de muros e paredes insultavam o regime (“Abaixo à ditadura”), o Fundo Monetário Internacional (“Fora FMI”) e os Estados Unidos da América (“Quem te USA não te ama”).
Desde o início da década de 1990 — com o fim da ditadura e com a cidadania em parte resgatada pela promulgada Constituição cidadã de 1988, junto à devolução do direito aos civis para elegerem o presidente da República —, a manifestação mais expressiva, além da cívica, era o “Grito dos Excluídos”. Uma forma de defender vida digna para todos.
Nos anos recentes da história do Brasil, gritou-se, também, contra a corrupção, contra a ineficiência dos serviços públicos, contra a insensibilidade governamental e contra as instituições. Agora é preciso gritar contra a intolerância e a miséria. Os ânimos estão perigosamente exaltados, e 33 milhões de brasileiros vivem com menos de R$ 289 por mês, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.
Os Gritos que contam a história do Brasil, desde os dos brasileiros escravizados durante séculos, são absolutamente necessários para denunciar atrocidades, deficiências e desmandos ou para anunciar novos tempos, mas isolados, são insuficientes para fazer o Brasil avançar. É preciso rumo e corresponsabilidade: 1) Livro de Stefan Dercon, pesquisador afiliado à Universidade de Oxford, na Inglaterra, lista características dos países que deram certo, entre elas investimento qualificado em educação, saúde e infraestrutura, gestão prudente dos recursos naturais, ambiente de negócios favorável, instituições fortes, distância da captura da máquina pública por grupos de interesse, arcabouço fiscal que ofereça confiança no futuro, direito de propriedade e segurança contratual, integração à economia internacional e programa para reduzir a pobreza e oportunizar mobilidade social; 2) Todos, contra os quais se gritou ou se grita, no Brasil, com exceção daqueles do tempo da ditadura, foram eleitos pelo voto direto e secreto da maioria dos eleitores.
Portanto, o dia 7 de setembro constitui ocasião especial — embora todas devessem sê-lo — para que todos os brasileiros assumam ou renovem compromissos e atitudes por um BRASIL MELHOR PARA TODOS.