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Após recomendação do MP, prefeito veta projeto de lei

Proposta visava regularizar loteamentos clandestinos em área de preservação

23/09/2020 06:00

O prefeito de Laguna Mauro Candemil seguiu uma recomendação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e vetou um projeto de lei, que, segundo a Justiça, representaria um retrocesso à proteção do meio ambiente e à ordem urbanística de Laguna. A ação faria mudança na regularização fundiária urbana da cidade.


A recomendação, expedida pela 1ª Promotoria de Justiça da comarca de Laguna, foi feita após verificar que o projeto de lei, que tramitava na Câmara de Vereadores, trazia previsões como a flexibilização desregrada da regularização de residências em loteamentos clandestinos, irregulares e em área de preservação permanente.


“Os danos ambientais provocados pela ocupação irregular do solo prejudicam a qualidade de vida das gerações atuais e vindouras, gerando impactos negativos à manutenção do equilíbrio ecológico e da saúde da população, além de importar em sérios riscos e prejuízos à ordem urbanística”, alerta no documento a promotora de Justiça, Raíza Alves Rezende.


Entre as diversas alterações, não se respeitariam as definições das zonas previstas no Plano Diretor Municipal, indicando que, caso os imóveis se situassem em áreas de rios, lagos, orla marítima, de fauna e reservas florestais, bastariam medidas compensatórias e mitigatórias, a serem verificadas posteriormente.


Outro apontamento da promotora foi quanto à eliminação da proibição de regularização em área de recarga de aquíferos, área com espécies de fauna ou flora ameaçadas de extinção, espécies de flora imunes ao corte, presença de sítios arqueológicos, comunidades tradicionais ou outro patrimônio cultural.


“Verificou-se, portanto, que as alterações seriam danosas ao meio ambiente e à ordem urbanística, pois diversos dispositivos contrariavam a proteção concedida pelas Constituições Federal e Estadual, em inegável retrocesso na sedimentação e conscientização de tutela destes direitos difusos”, completa Raíza. O ofício com o veto integral do texto aprovado pelos vereadores já foi encaminhado ao Legislativo.

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