Hoje é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, data que destaca a importância de atitudes que podem melhorar a nossa vida, seja por meio de iniciativas privadas ou de exemplos da própria comunidade, como é o caso do morador de Laguna Gildo Marinho de Lima, de 58 anos.
Militar da reserva, Gildo trabalhou por 30 anos na Marinha. Na Cidade Juliana, chegou em 2007 e se aposentou em 2013. E foi durante o trabalho na Capitania dos Portos que ele teve maior contato com temas voltados ao meio ambiente.
Em 2010, com a chegada da lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o assunto gerou ainda mais debates no meio político, empresarial e entre a população, principalmente sobre a destinação correta do lixo produzido. “Eu já me interessava pelo assunto e também integrava o grupo que estava discutindo um plano direto para Laguna. Por curiosidade, e também sabendo da minha responsabilidade, comecei a ter um cuidado maior no meu próprio terreno, em Barbacena”, conta Marinho.
Aos poucos, Marinho se tornou um estudioso sobre gestão de resíduos sólidos e orgânicos. Foi participando de cursos, informando-se sobre os temas e instalou no próprio terreno uma composteira doméstica, onde deposita o lixo orgânico para que se transforme em biofertilizante (chorume) ou adubo natural.
Com o tempo, parte do terreno se transformou em uma hora e a ocupação, que era passatempo, virou fonte de renda. “Tinha me aposentando e minha filha trouxe a ideia de vendermos o que estávamos plantando e colhendo. E deu certo. Aqui tínhamos beringela, couve, rúcula, aipim. Também passei a recolher o lixo orgânico de algumas casas e até a ensinar outras pessoas a como criar uma composteira, com consultorias e ações sociais em escolas, por exemplo”, explica Marinho.
Esse trabalho perdurou até a pandemia. Foi no período crítico que Marinho encontrou outra forma de aprender ainda mais sobre temas ligados aos cuidados com o meio ambiente: começou a fazer faculdade de Gestão Ambiental, curso que concluiu no fim deste ano. “O que me motiva é que moramos numa cidade muito bonita. Mesmo assim, tem gente que coloca fogo em galhos, em lixo, tem muito resíduo da construção civil, o que é um problema, já que não tem a destinação devida. E tem muito material que segue para o aterro sanitário, mas que deveria ir para a indústria, como forma de reciclagem, de renovação”, pontua.
Em um processo que exige conhecimento e respeito à natureza, Marinho segue fazendo algo por ele e também pelos outros. “Eu sou multiplicador do meu conhecimento, para que todos possam fazer o mesmo”.
Compostagem
Compostagem é uma técnica na qual o resíduo orgânico é degradado biologicamente por micro-organismos, como fungos e bactérias, e transformado em adubo natural. Dessa forma, o resíduo orgânico que seria descartado em lixões ou aterros sanitários, por exemplo, é transformado para que a matéria orgânica e os nutrientes ali presentes sejam reutilizados no plantio de novos vegetais, reciclando, assim, a matéria orgânica. No nível doméstico, o resíduo orgânico gerado por uma família é reciclado dentro da própria residência, e o adubo gerado ali pode ser aproveitado pela família ou repassado.