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RENATA DAL-BÓ

22/07/2026 06:00

Primo é primo, meu lugar é meu

O primo Zico veio passar mais uma temporada de férias aqui em casa. Até que eu gosto dele. Ele é um cara legal. Mas confesso que, quando ele chega, preciso lembrá-lo de algumas regras importantes. A primeira delas é sobre o território.

Assim que o Zico entra, começa o nosso tradicional duelo de xixi. Eu faço em um cantinho, só para deixar claro que a casa é minha. Ele vai lá e faz por cima. Então eu escolho outro lugar e marco novamente. Ele me acompanha. Eu faço mais adiante. Ele também.

Não é briga. É apenas uma conversa entre cachorros. Uma conversa um pouco molhada, admito.

Depois de resolvidas as questões territoriais, o Zico começa a se acomodar. Vai para o colo da minha mãe, ganha carinho, recebe elogios e faz aquela carinha de cachorro inocente. 

Eu observo tudo. Não sou (muito) ciumento. Apenas atento.

Depois ele sobe na cama da minha mãe. Tudo bem. Ele é visita, está de férias e precisamos ser hospitaleiros. Mas, outro dia, ele quis deitar exatamente no meu lugar.

Isso mesmo, no meu lugar da cama. Aí não teve jeito. Eu rosnei. Foi um rosnado curto, educado e muito objetivo: — Primo Zico, eu gosto muito de você, mas não vamos exagerar.

Ele já estava na cama da minha mãe, tinha ficado no colo da minha mãe e agora queria ocupar o meu cantinho? Daí já era ultrapassar todos os limites.

Minha mãe, é claro, chamou minha atenção: — Pingo, o Zico é seu primo!

Eu sei. Posso dividir os brinquedos, a água, os passeios e até alguns petiscos. Mas meu lugar na cama, daí já é demais.

No fim, o Zico se afastou um pouquinho, eu voltei para o meu canto e minha mãe ficou espremida entre nós dois. Achei justo.

Primo é primo. Mas meu lugar é meu. Concordam?

Lambeijos e até a próxima!

Diário do Sul
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