Se alguém me dissesse, alguns anos atrás, que um dia eu estaria à frente de uma associação que valoriza a escrita de autoria feminina, promove o protagonismo das mulheres na literatura e fortalece a representatividade delas no cenário cultural, eu teria dado uma risada descrente, típica de quem acha a ideia bonita, mas bastante improvável. No entanto, a vida, com seu roteiro inesperado, me trouxe até a presidência da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (Ajeb), onde estou cercada de mulheres que, como eu, transformam suas experiências e vivências em palavras, traçando histórias que dialogam com seu tempo.
No último dia 28 de março, na Biblioteca Pública de Santa Catarina, pude comprovar mais uma vez a força e a união de mulheres pelas letras, durante a celebração memorável de lançamento da coletânea Entre Linhas e Lutas, 17ª publicada pela Ajeb – Coordenadoria Santa Catarina (Ajeb-SC). Foi mais do que um evento literário. Foi um encontro de almas, de vozes que se entrelaçam em um coro feminino de talento e inspiração. Ver ajebianas de outros estados viajando quilômetros para prestigiar esse momento aqueceu ainda mais meu coração. Não há fronteiras quando o que nos une é a palavra. A escrita nos aproxima, nos fortalece e nos faz pertencer.
A coletânea nasceu do empenho de muitas mãos, mas preciso destacar duas delas: Sande Moraes, que conduziu este projeto com a sensibilidade de quem sabe que cada história importa, e Dioni Fernandes Virtuoso, incansável na missão de fazer a Ajeb-SC pulsar e crescer. Ambas são prova viva de que a literatura não se faz sozinha – ela precisa de quem a escreva, de quem a organize e, principalmente, de quem acredite nela.
E que vozes são essas que hoje ecoam nestas páginas? São as vozes de mulheres que, ao longo da história, enfrentaram silêncios e barreiras, mas nunca deixaram de escrever. Como bem sabemos, houve um tempo em que a escrita feminina se escondia em diários, cartas não enviadas, pseudônimos. Mas, pouco a pouco, as palavras foram rompendo as amarras, ocupando espaços, denunciando injustiças, nomeando dores e sonhos.
Hoje, nossos nomes estão nas capas dos livros, nos prêmios literários, nas pesquisas acadêmicas. Mas a luta continua. Ainda há desafios, ainda há resistência em nos enxergar como protagonistas da literatura, ainda tentam nos empurrar para um canto menor da estante.
E é por isso que seguimos. Porque escrever é existir. Porque cada palavra que deixamos no papel é um caminho aberto para quem vem depois. Porque entre linhas e lutas, seguimos – com coragem, com persistência, com a certeza de que nossa escrita é um território legítimo e necessário.
Que esta coletânea seja mais um marco dessa jornada e que inspire muitas outras mulheres a contarem suas histórias. Afinal, a história ainda precisa de muitas páginas – e desta vez, somos nós que escrevemos.