Emílio de Menezes foi um conhecido e comentado poeta e jornalista nos tempos da belle époque, no Rio de Janeiro.
Autor de Poesias, Últimas rimas e Mortalhas, era muito gordo e excêntrico na maneira de vestir. Ficou famoso pela sua agilidade mental e por seus trocadilhos e anedotas. Frequentava a boemia, sendo assíduo habitué dos cabarés do bairro da Lapa.
Algumas outras obras suas denotam o caráter satírico da sua personalidade: “Os deuses em ceroulas, Poemas da Morte e Marcha fúnebre.”
Especulando na Bolsa de Valores, ficou rico, tendo possuído carros luxuosos e obras de arte, mas tudo esbanjou, voltando à pobreza, quando então adotou o pseudônimo de “Emílio Pronto da Silva”.
Certa feita, quando a moda masculina ditava o uso da bengala, encontrou um amigo na Avenida Rio Branco. O amigo mostrou-lhe a sua bengala nova. Emílio tomou-a em suas mãos e ficou observando as mulheres que passavam. Ao ver uma grávida já em vias de ganhar o neném, brandiu o acessório exclamando “Bem galada”. Em seguida passou uma mulher que ele sabia ser uma meretriz. Então não perdoou: medindo a bengala com os olhos, falou: “Bengalinha”. Finalmente, percorrendo o avantajado recôncavo do cajado, com o dedo, observou: “Golfo de Bengala.”
As mulheres costumavam ser afobadas quando iam pegar o bonde, com medo de que ele partisse antes de ela achar um lugar. Assim se comportou uma artista de teatro, bem gorda, a quem Emílio acompanhava e que era sua amiga.
Ao ver a impetuosa atriz entrar em um banco onde não havia mais lugar para sentar, saiu-se com esta: “Oh, atriz atroz, atrás há três.”
Com ela foi uma vez namorar na Praça Paris. O velho banco de madeira da praça não suportou o peso da mulher e ruiu.
Menezes, ajudando-a a levantar-se, comentou: “Esta é a primeira vez que eu vejo um banco ‘quebrar’, por excesso de fundos.”
Outra vez, ele estava sentado a uma mesa de um bar que existia na Galeria Cruzeiro, tradicional ponto de encontro dos cariocas. Eram sete horas da manhã. Ao vê-lo ali, com um copo de chope à sua frente, um amigo que passava brincou:
- Já, Emílio?
Recebeu como resposta: “Já não, ainda!”
Convidado para fazer parte da Academia Brasileira de Letras, duas vezes foi rejeitado por terem sido considerados ofensivos aos demais acadêmicos os dois discursos que preparou. Acabou falecendo sem tomar posse.