Iniciativa terá encontros educativos para promover responsabilização e prevenção de novos casos
A Polícia Civil de Laguna está organizando um grupo reflexivo para homens autores de violência doméstica e familiar contra a mulher. A primeira reunião ainda não tem data definida, mas a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami) já começou a organizar os participantes.
Segundo a delegada Vivian Garcia Selig, a psicóloga da unidade já está recepcionando homens que possuem medidas protetivas para formar o grupo. A iniciativa segue as diretrizes de uma lei estadual sancionada em abril, que estabelece programas reflexivos e de responsabilização para homens autores de violência doméstica e familiar.
Os grupos terão caráter pedagógico e socioeducativo, com duração mínima de seis meses e pelo menos 12 encontros, conduzidos por uma equipe multidisciplinar. Entre os temas estão as diferentes formas de violência, responsabilização, relações de poder, resolução de conflitos e formas não violentas de convivência.
Prevenção
Para Vivian, esse tipo de trabalho é importante para atuar não apenas após a ocorrência da violência, mas também sobre comportamentos que podem contribuir para a repetição dos casos.
“Os grupos reflexivos de homens representam uma importante ferramenta de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, especialmente porque atuam não apenas sobre o fato já ocorrido, mas também sobre as causas comportamentais, culturais e sociais que muitas vezes sustentam ciclos de violência.”
A delegada ressalta ainda que a responsabilização deve estar acompanhada de ações educativas. “A responsabilização do autor é indispensável, mas a resposta estatal não deve se limitar à esfera punitiva. É igualmente necessário criar espaços que possibilitem a reflexão sobre comportamentos, masculinidades, relações de poder, resolução de conflitos e formas não violentas de convivência.”
Iniciativa será ampliada
A iniciativa deve ser ampliada para outros municípios da região, como Imbituba. Segundo Vivian, a proposta é contribuir para a prevenção de novos casos e para a redução da reincidência. “Esses grupos permitem que esses homens sejam confrontados com suas próprias condutas, compreendam as consequências da violência e desenvolvam novas formas de relacionamento. Trata-se, portanto, de uma atuação preventiva, educativa e de responsabilização, que pode contribuir diretamente para a redução da reincidência e para a ruptura dos ciclos de violência.”