Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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Venezuelana busca vida melhor em Tubarão

Fabiola Ruiz Rodríguez é uma das 70 mil imigrantes da Venezuela que optaram por viver em Santa Catarina

12/01/2026 06:00|Atualizada em 13/01/2026 08:41|Por Redação

Desde a última década, milhares de venezuelanos vieram para o Brasil em busca de melhores condições de vida. A mudança de país é proveniente da crise econômica e política que, até hoje, devasta a Venezuela.

Em Santa Catarina, eles são o maior grupo de imigrantes em 2025. Mais de 70 mil vivem hoje no estado. De acordo com a Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família do Estado de Santa Catarina, além dos venezuelanos, os argentinos e haitianos formam os outros maiores grupos de imigrantes.

A venezuelana Fabiola Ruiz Rodríguez é um exemplo de imigrante que optou por residir em Santa Catarina. Ela conta que entrou no Brasil entre 2017 e 2018. “No início, minha adaptação foi um pouco difícil. Como não tinha residência fixa, passei cerca de um mês e 15 dias dormindo nas ruas, no terminal rodoviário e em outros lugares”, relembra. 

Outro ponto difícil para a venezuelana foi o idioma. “Tive que me adaptar, afinal era outra língua, outra cultura. Foi bem complicado. Além disso, dormir sem minha família, sem o abraço da minha mãe, sem os abraços dos meus irmãos, já que vim para o Brasil sozinha”, explica.

Mas a busca por um futuro melhor falou mais alto e aos poucos foi se fortalecendo. “Cheguei no Rio Grande do Sul durante a pandemia e foi complicado encontrar emprego. Como tinha amigos aqui em Tubarão e me incentivaram a vir para cá, acabei me mudando. Graças a Deus, consegui um emprego e tenho todo o conforto que preciso dentro das minhas finanças”, comemora.

Sobre a escolha de sair da Venezuela, Fabiola afirma que foi a melhor decisão que poderia ter tomado e que amadureceu muito. “Saí do meu país aos 18 anos, aprendi muitas coisas, realizei um dos meus sonhos e atualmente sou extremamente grata ao Brasil”, emociona-se.

Mesmo após ataque dos EUA, família quer ficar

Uma semana depois da captura do ditador Nicolás Maduro, o país tem uma nova liderança, que tem cedido à pressão norte-americana enquanto amplia a repressão interna. Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela, enquanto o regime chavista tenta demonstrar resistência ao formar um governo interino. Na prática, porém, o país tem dado sinais de influência externa, ao ceder petróleo aos norte-americanos.

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Ao ser questionada sobre a família, a venezuelana, que agora mora em Tubarão, conta que eles não querem vir para o Brasil. Isso significaria deixar outros familiares, casa e, como se costuma dizer, começar do zero. “Acho que eles ficam um pouco assustados em pensar na possibilidade de tentar essa etapa”, pontua Fabiola.

Mas ela afirma que, considerando a situação do país, está tudo bem. “Eles trabalham, mas tudo é para o dia a dia. E é claro que eles também têm a minha ajuda, tenho contato diário com minha mãe e minha irmã”, detalha.

Hoje a venezuelana atua em dois empregos em Tubarão: o primeiro como atendente de lanchonete, no caixa, o segundo como cozinheira. “Difícil pensar na Venezuela, pois amo meu país. Não diria que nunca mais voltaria. Mas não está nos meus planos, já que tenho minha vida feita aqui”, avalia.

Operação  

A operação dos Estados Unidos dividiu líderes mundiais. Países alinhados a Maduro, como Rússia, China, Cuba e Irã, condenaram a ação. Já lideranças de direita, principalmente na América do Sul, elogiaram Trump.

No Brasil, o presidente Lula (PT) divulgou uma nota condenando o ataque. Ele afirmou que os bombardeios e a captura de Maduro representam uma afronta à soberania venezuelana e criam um “precedente perigoso” para a comunidade internacional.

“Nas próximas semanas, é provável que a repressão interna continue para projetar controle, enquanto os EUA seguem fazendo exigências concretas, como no caso do petróleo. Pelo menos no curto prazo, não há horizonte real de retorno da democracia no país”, analisa Uriã Fancelli, mestre em relações internacionais. 

Venezuelanos lideram imigração ao Brasil

Os venezuelanos são os estrangeiros que mais imigram para o Brasil, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda de acordo com o Censo do IBGE, Santa Catarina é o terceiro estado que mais recebe imigrantes em todo o Brasil, e fica atrás somente do Paraná e de São Paulo. Desde 2010, 24.797 vieram para o estado.

Aqui, os venezuelanos lideram contratações de trabalho entre os estrangeiros. Em 2024, representaram 74,7% dos postos, com 14.135 novos funcionários entre janeiro e dezembro, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

A escolha do estado como residência se deve a uma série de fatores, como economia diversificada, oportunidades de emprego e qualidade de vida. A grande maioria dos que imigram chegam em idade produtiva, entre 25 e 40 anos. Mais da metade, 55%, tem ensino médio completo e 12% têm ensino superior.

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