Jornalista Adriana Oliveira está à frente da apresentação do Desfile Cívico
Todos os anos, por volta das 8h de 7 de Setembro, uma voz já conhecida anuncia aos tubaronenses que mais um Desfile Cívico está prestes a começar. Há 25 anos, é a jornalista Adriana Oliveira quem dá o tradicional “bom dia, Tubarão” e conduz, do palanque oficial, uma das principais celebrações cívicas do município.
A história começou em 2001, quando Adriana ingressou no Departamento de Comunicação da prefeitura e passou a integrar a organização do evento. A escolha para assumir o microfone aconteceu naturalmente: ela já acumulava muitos anos de experiência no rádio e na apresentação de grandes eventos.
O que o público acompanha na avenida, porém, é apenas a etapa final de um trabalho iniciado meses antes. Além de integrar a comissão organizadora, Adriana é responsável pela edição e padronização dos históricos enviados pelas entidades que participam do desfile. O material também é disponibilizado aos profissionais de imprensa que fazem a transmissão ao vivo.
Não é pouco texto. A cada ano, entre 50 e 60 entidades passam pela avenida, gerando cerca de 30 páginas de históricos para serem lidos durante aproximadamente seis horas de desfile. Por isso, Adriana sempre dividiu o microfone com outros profissionais. Ao longo dos anos, estiveram ao lado dela Ramires Linhares, Vilson Silva, Fernando Ferreira e Max Alexandre. Neste ano, a parceria será com Alessandro Neves.
“É um trabalho que parece simples, mas exige muita disposição. Ficamos cerca de seis horas em pé e, mesmo protegidos pela cobertura do palanque, o dia 7 de setembro geralmente é muito quente e não tem como escapar do calor”, conta.

A emoção de ver as histórias pelo palanque
Adriana é a apresentadora com o maior número de participações consecutivas no desfile. Para ela, apresentar o 7 de Setembro significa também observar do palanque histórias que acontecem diante dela. Algumas, muito pessoais.
Durante anos, uma das maiores emoções chegava à avenida junto com a filha, Fernanda, que estudou na Escola Técnica de Comércio de Tubarão (ETCT). Quando percebia que a filha estava se aproximando do palanque, Adriana tinha seu próprio ritual. “Quando ela passava defronte ao palanque, eu já passava o microfone para o outro apresentador, só para vê-la desfilando”, lembra.
Fernanda já não participa mais do desfile, mas outros integrantes da família continuam fazendo Adriana olhar para a avenida não apenas como apresentadora. Há sobrinhos, uma afilhada e agora o neto Luca, que ela espera um dia também ver passar diante do palanque.
É justamente essa experiência que a faz compreender a emoção das famílias que ocupam as calçadas para acompanhar filhos e netos. “Sei que todos os pais e avós que vão à avenida sentem a mesma emoção. Por isso, nós que atuamos no planejamento temos uma grande responsabilidade e um grande compromisso de fazer do desfile algo que surpreenda e emocione.”
Entre tantas lembranças acumuladas em 25 anos, as apresentações das bandas escolares também ocupam um lugar especial. Para ela, as bandas simbolizam também algo que o público nem sempre consegue enxergar: o desfile que dura algumas horas é resultado de meses de preparação e do trabalho de muitas pessoas.
É por isso que, mesmo depois de tantos anos, o encerramento ainda traz a sensação de dever cumprido. E quase sempre deixa uma última cena: alguém se aproxima do palanque querendo conhecer a mulher por trás daquela voz ouvida durante toda a manhã.
Neste 7 de Setembro, Adriana estará novamente lá. Após 25 anos consecutivos de apresentação, ela diz que ainda espera repetir esse ritual por muito tempo. “Conduzir este grande evento é uma honra e talvez parte do legado que quero deixar para Tubarão – cidade que me acolheu há 41 anos e pela qual tenho grande respeito e admiração.”