Em audiência, indústria alertou para impactos de projetos que restringem o material
Foto: Reprodução/Tv Senado/DS A busca por soluções para reduzir a poluição causada pelo plástico, sem comprometer empregos e a atividade econômica, marcou a audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, realizada em São Ludgero. O encontro reuniu representantes da indústria, pesquisadores, trabalhadores da reciclagem, gestores públicos e parlamentares para discutir alternativas voltadas ao uso mais sustentável do material.
Entre os principais pontos defendidos durante o debate esteve a necessidade de ampliar a reciclagem, incentivar a economia circular, investir em pesquisa e inovação e promover ações de educação ambiental. Os participantes avaliaram que o plástico continua tendo papel importante em diversos setores, mas que o descarte inadequado e a baixa reutilização dos resíduos precisam ser enfrentados com políticas públicas e responsabilidade compartilhada.
O senador Esperidião Amin (PP-SC), autor da iniciativa, afirmou que o objetivo do encontro foi buscar soluções práticas para um problema que afeta toda a sociedade. “Temos o dever de, primeiro, diagnosticar o problema, e segundo, oferecer soluções práticas, reais”, disse. Ele também destacou a importância dos trabalhadores da reciclagem e sugeriu medidas para fortalecer a inclusão social e valorizar a atuação dos catadores.
Durante a audiência, foi apresentado o projeto Defesa Circular, que será implantado em Orleans e prevê a criação de uma central de triagem e de uma usina de valorização de rejeitos. A proposta busca ampliar a reciclagem e fortalecer a economia circular.
O prefeito de Orleans, Fernando Cruzetta, destacou o impacto da iniciativa. “A circularidade só vai funcionar se conseguirmos o resultado econômico”, afirmou.
Legislação
Representantes da indústria ressaltaram que mudanças na legislação devem considerar os impactos econômicos e sociais, principalmente em uma região onde o setor plástico tem forte participação na geração de empregos e renda. O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Elias Caetano, afirmou que há uma percepção equivocada sobre o setor. “O setor é alvo de uma enorme campanha de desinformação. Hoje, o setor plástico é a principal indústria do Sul catarinense”, disse.
Também houve manifestações do setor produtivo sobre o impacto das mudanças regulatórias. O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Paulo Teixeira, afirmou que há insegurança diante das propostas em discussão. “São sinais, ruídos, e isso atrapalha a nossa economia”, disse.
Impactos ambientais
Já pesquisadores chamaram a atenção para os impactos ambientais do descarte inadequado dos resíduos plásticos, especialmente nos oceanos. O coordenador do Instituto Oceanográfico da USP e da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, Alexander Turra, destacou que o problema já afeta cadeias produtivas. “A indústria da aquicultura em Santa Catarina fica muito prejudicada quando a qualidade da água do mar é reduzida”, afirmou.
Outro tema destacado foi o papel dos catadores e das cooperativas de reciclagem na gestão dos resíduos. O presidente da Federação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Santa Catarina (Feccat), Dorival Rodrigues dos Santos, ressaltou a importância social da atividade. Segundo ele, cerca de 30 mil catadores atuam no estado, sendo a maioria mulheres.