Uma das principais queixas relatadas pela população, por conta do isolamento social durante a pandemia, tem sido o tédio. Situação que muitas vezes leva à perda de paz interior, principalmente quando este sentimento acomete crianças e adolescentes.
“O tédio é um sentimento da contemporaneidade, dos novos tempos e que aparece como uma expressão da monotonia. Mudança de humor, insegurança, mal-estar e até tristeza são alguns dos sintomas. Angústia que alguns, ao se depararem com a incompletude da vida psíquica, sofrem”, descreve a psicóloga e psicopedagoga do Complexo Médico Pró-Vida, Sandra Regina de Souza Cruz.
Conforme Sandra, neste momento, sem aulas presenciais e atividades fora de casa, algumas crianças se identificam como “entediadas”, mas a maioria não paralisa, segue em busca de jogos, vídeos, conversas online ou diálogo com os pais. Diferente do tédio mortífero relatado por alguns adolescentes, que é patológico, que se mostra em uma apatia diante da vida, de ausência de desejo, é um silêncio. Para eles, há dificuldade em dar palavras às emoções, às sensações. Comportamentos que precisam de atenção.
Para a psicologia é na adolescência que as pessoas reconhecem que o mundo não é bem como se imaginava, que as promessas proferidas na infância de um mundo lindo e maravilhoso não correspondem com a realidade.
“Por considerarmos que se trata da singularidade psíquica de cada sujeito, de cada família e de um contexto específico, não cabe, neste caso, sugestões de manejo das situações.
Orientamos que os adultos fiquem atentos às crianças e adolescentes, às alterações de humor e de atitudes e não hesitem, caso percebam mudanças de comportamento, em procurar um profissional da psicologia, evitando assim complicações imediatas ou sérias reações no futuro”, indica.