Médico e paciente avaliam procedimento e apontam mudanças ao longo dos anos
Em agosto de 2006, Tubarão registrava a realização da primeira cirurgia bariátrica do município. O procedimento ocorreu no Hospital Nossa Senhora da Conceição e foi conduzido pelo cirurgião do aparelho digestivo Dr. Ricardo Reis, integrante da equipe pioneira na implantação da técnica na cidade.
O primeiro paciente foi Tanoir Manoel Monteiro, então com 42 anos e 152 quilos. Naquele período, a bariátrica era feita por cirurgia aberta, com uma incisão maior no abdômen e um período de recuperação bastante diferente do observado atualmente.
Duas décadas depois, Ricardo acompanha uma transformação que passa tanto pelos métodos utilizados quanto pela estrutura disponível para os pacientes. “Quando olhamos para essas duas décadas, percebemos as transformações e o quanto a medicina evoluiu. Tempo em que havia essa mesma pandemia, a da obesidade, mas com menos tecnologia para tratar da saúde”, afirma.
Na época, a internação após o procedimento poderia durar de quatro a seis dias e, em alguns casos, havia necessidade de permanência em UTI. Hoje, segundo o médico, a realidade é outra. A videolaparoscopia reduziu o tamanho das incisões e o tempo de recuperação, enquanto alguns procedimentos já podem ser realizados sem que o paciente precise passar a noite no hospital.
A cirurgia bariátrica também passou a ser considerada dentro de uma abordagem mais ampla para o tratamento da obesidade.
Além da redução de peso, o procedimento pode contribuir para o controle ou prevenção de doenças associadas à condição, sempre a partir de avaliação e indicação médica.
Decisão
Para Tanoir, que passou pelo procedimento há 20 anos, a decisão continua sendo vista como acertada. “Investir em nossa saúde sempre será a melhor e certeira escolha. Eu vejo o investimento em saúde sempre como incomparável com qualquer situação. Se tivesse como voltar ao passado, eu faria tudo novamente”, afirma.
A experiência daquele primeiro procedimento também fez parte da construção de uma equipe que permanece ligada à área. O projeto foi idealizado pelo cirurgião do aparelho digestivo Dr. Jaime César Souza, já falecido, e posteriormente teve continuidade com os médicos Dr. Darlan Kestering, Dr. Eduardo Calegari, Dr. Jaime César Gelosa e Dr. Ricardo Reis.
A trajetória iniciada em 2006 agora chega a um cenário em que a tecnologia permite procedimentos menos invasivos e maior precisão, abrindo espaço para um novo capítulo na cirurgia do aparelho digestivo.

Robótica amplia precisão nos procedimentos
A evolução da cirurgia bariátrica em Tubarão não ficou restrita à mudança da técnica aberta para a videolaparoscopia. Duas décadas depois do primeiro procedimento realizado na cidade, a área passa a contar também com a cirurgia robótica, recurso que amplia as possibilidades de atuação.
Para o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Ricardo Reis, a tecnologia deve ser entendida como uma ferramenta sob comando do profissional. “A cirurgia robótica não substitui o cirurgião. Pelo contrário, ela é uma ferramenta que está nas mãos do cirurgião. O conhecimento, a experiência e a capacidade de tomar decisões durante o procedimento são fundamentais”, explica.
O sistema permite ao médico controlar os instrumentos por uma plataforma que oferece visão ampliada em alta definição e maior precisão dos movimentos. Entre os efeitos esperados estão procedimentos menos invasivos e recuperação mais rápida.
A chegada da tecnologia também tem um significado particular para a equipe responsável pela cirurgia bariátrica. Para Ricardo, o avanço está diretamente ligado ao trabalho iniciado há duas décadas.
“Existe um significado muito especial em olhar para trás e perceber que, hoje, estamos participando de um momento histórico com a chegada da cirurgia robótica. São duas conquistas separadas por duas décadas, mas que têm algo em comum: a busca por oferecer o que existe de mais inovador, seguro e adequado dentro da medicina”, afirma.