Custos de produção têm elevado o valor do leite nas prateleiras e obrigado famílias a buscar alternativas
A inflação acelerou em junho, atingindo 11,89% no acumulado em 12 meses, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados na sexta-feira pelo IBGE.
A disparada dos preços foi confirmada em 67% dos produtos e serviços pesquisados pelo órgão. O leite está entre eles, somando alta de 37,61% no período.
Após o governo federal priorizar a redução dos impostos dos combustíveis, o preço de um litro de leite está custando mais que um litro de gasolina. Em Tubarão, por exemplo, o litro da gasolina é vendido, em média, a R$ 5,59, mas pode ser encontrado por menos ainda em pagamentos à vista, como a R$ 5,39. Já o leite varia bastante, dependendo da marca e da promoção, mas, em média, custa R$ 5,89. Ainda assim, não é difícil encontrá-lo nas prateleiras custando mais de R$ 6.
Proprietário de um pequeno mercado no bairro São Martinho, Daniel Goulart diz que desistiu de comprar leite para revender. “Com a alta no preço, os supermercados maiores e atacados, que compram em grandes quantidades, estão conseguindo vender mais em conta que as distribuidoras que nos atendem. Não compensa. Como está muito caro, a saída foi deixar de vender o produto, por enquanto”, comenta o comerciante.
No próprio mercado surgem inúmeras reclamações quanto ao preço do leite e dos demais alimentos. “Tem famílias pedindo socorro e que não sabem mais o que fazer. Carro você tem um para abastecer e pode optar por economizar. Usá-lo só para o essencial. Mas e quem tem três filhos pequenos, vai deixar de dar o leite?”, desabafou uma cliente.
Menor oferta eleva custos da produção
Segundo Glauco Carvalho, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, a principal causa do aumento é a menor oferta do produto nos laticínios, o que se deve principalmente à elevação dos custos de produção.
A entressafra tem início em abril, mas, segundo o pesquisador, “a oferta de leite já vinha fraca desde meados do ano passado e acentuou nos primeiros meses de 2022”, afirma Glauco. Além disso, a entressafra acentuou a escassez de leite no mercado. Nos últimos anos, houve uma alta de 62% nos custos para o produtor, gerando uma elevação de 43% no preço ao consumidor.
Segundo o pesquisador, o preço, mesmo em alta, não está sendo suficiente para cobrir os custos, o que piorou a rentabilidade nas fazendas e levou o produtor a diminuir a oferta, reduzindo a alimentação das vacas. “O volume de leite adquirido no primeiro trimestre deste ano foi o equivalente ao observado em 2017, o que significa que a indústria regrediu cinco anos em termos de captação de leite”, explica.