Elvis Palma e Marcelo Becker/DS A barba branca, as vestes vermelhas e o aceno carinhoso por onde passam nunca fizeram tanto sentido como neste Natal. Após um período de isolamento por conta da pandemia da covid-19, neste ano, os Papais Noéis puderam voltar a esbanjar simpatia pelas ruas das cidades da região. Esse o caso do lagunense José Alves Fernandes, de 74 anos, e o tubaronense Geraldo Luiz Esterchotter Nunes, de 54.
Todos os natais, há mais de 30 anos, ambos se transformam em dezembro. Eles se caracterizam de Bom Velhinho e levam alegria por onde passam. José é Papai Noel há mais tempo. “Transformo-me no Bom Velhinho há mais de 40 anos. Tinha um amigo, o Valdemar Antunes, que estava doente e não podia fazer naquele ano. Eu não queria, no começo. Mas aceitei e nunca mais parei. Agradeço a ele por me dar essa oportunidade”, conta José.
Para o Papai Noel de Laguna, retomar o contato com as pessoas é emocionante. “Passo por pessoas que até choram. Tivemos um Natal mais contido por conta da pandemia, mas foi necessário. Agora, com todos os cuidados, podemos levar um pouco mais de alegria e também sentir a emoção de estar junto”, comenta José.
Mas a emoção maior para José será um dia poder retomar as tradicionais visitas que ele faz nas casas na noite do dia 24. “Começo a minha tarefa às 18h e só paro à meia-noite. É uma felicidade que não tem preço. Eu chego e todos estão me esperando. As crianças mesmo são as mais entusiasmadas. Isso me deixa satisfeito e me dá orgulho de ser eu. Sei que ainda não podemos, mas espero no próximo ano conseguir”, destaca o Papai Noel.
“Que neste Natal possamos ter fé e pensar no aniversariante que é o Menino Jesus. Estamos vivendo tempos difíceis. Peço que todos sigam se cuidando e que todos possam deixar o espírito natalino invadir. O que mais desejo é saúde para todos”, deseja o Papai Noel de Laguna.
Preparativos começaram em fevereiro
E para quem pensa que o Bom Velhinho se transforma apenas no fim de ano, engana-se. Para o Papai Noel tubaronense Geraldo Luiz Esterchotter Nunes, os preparativos já começaram em fevereiro. “A partir do segundo mês do ano, começo a deixar a barba crescer. Na semana da chegada, faço a pintura do cabelo e da barba, para ficar caracterizado”, conta Geraldo.
Ele conta que iniciou como Papai Noel em 1988. “Foi quando fiz uma apresentação pública na minha comunidade, no Revoredo. Depois, com o passar dos tempos, fui fazendo as chegadas aqui em Tubarão. São 34 anos de amor e dedicação”, conta Geraldo.
Para ele, essa retomada do contato presencial com o público é emocionante. “Esse retorno após a pandemia está sendo muito gratificante. Sentir a alegria no rosto, não somente das crianças, mas também de todas as pessoas, não importando a idade, é sem igual. O ano passado foi o ano que passeava no calhambeque. Isso me entristecia muito, pois a movimentação era mínima, lojas fechando mais cedo. Agora é diferente”, diz Geraldo.
Como mensagem para esse ano, o Papai Noel tubaronense pede que o Menino Jesus esteja em cada lar abençoando cada um. “Feliz Natal a todos que acompanham a minha chegada todos os anos”, complementa.