Micheline Zim
De professor de História apaixonado por café a barista profissional apaixonado pela nova carreira. Esse é praticamente um resumo da biografia do carioca Heitor José Sampaio Fernandes Batista Gomes, de 38 anos. O café, aliás, foi um dos motivos que fizeram com que ele trocasse o Rio de Janeiro por Tubarão, para viver e trabalhar. O outro motivo foi sua esposa, a tubaronense Gabriela Teixeira Soares.
Heitor é formado em História pela UFRJ, foi professor por 17 anos e se apaixonou pelo mundo dos cafés especiais. Acabou virando barista e veio morar em Tubarão. Ele conta que, como já tinha vontade de sair do Rio de janeiro, e Gabriela tinha vontade de voltar para Tubarão para ficar mais perto dos avós, José Warmuth Teixeira (colunista do DS) e Maria Marlen, eles perceberam que abrir um negócio seria um caminho para fazer isso acontecer. Então, ele começou a estudar mais sobre café, e a esposa, sobre pães.
Assim, unindo o útil ao agradável, o casal abriu a Gatto Nero — que tem cafés especiais, pães feitos por Gabriela, entre outros pratos. “A Gatto Nero é nossa segunda casa, projeto pensado nos mínimos detalhes para ser algo que valesse a pena mudar radicalmente nossas vidas. A Gabi era designer e mudou tudo para virar padeira, estudou fermentação, e nos dedicamos todos os dias a aprender mais”, conta.
“Viemos logo antes da pandemia e, assim como para todos, vimos nosso projeto ter que ser totalmente repensado. Inclusive, na época, diziam que os restaurantes nunca mais iam voltar. Entre muitas incertezas, medos e, ainda por cima, começar algo totalmente novo, abrimos inicialmente só para encomendas. Depois de seis meses, abrimos para o público. Hoje, estamos quase completando um ano. Todo dia é um aprendizado, testando o que dá certo, entendendo nosso público, fornecedores, produtores locais. E a cidade vai se adaptando um pouco a nós também, nossos produtos, nossa forma de trabalhar, e assim vamos nos entendendo”, revela Heitor.
“O Brasil é o maior produtor de café do mundo, temos excelentes cafés, mas ainda temos muito a crescer no café especial. O consumidor está cada dia mais aberto a provar e aprender mais. Café é combustível para o dia a dia, mas, além disso, é prazer. O café especial é uma boa semente, plantada com cuidado, cultivada e colhida com respeito, sofre beneficiamentos no pós-colheita, é torrada com cuidado e atenção e manipulada com conhecimento pelo barista. O resultado na xícara é sentido por quem bebe. E todo esse processo apaixona, seja o consumidor, seja quem se encanta com o processo e tem vontade de virar barista”, ressalta Heitor.
Concurso brasileiro de Aeropress
Neste final de semana, Heitor participará da etapa brasileira do Campeonato de Aeropress, no Jockey Clube de São Paulo — o campeão irá para o Canadá participar do Mundial. A expectativa para o concurso, segundo ele, não é alta, já que é o primeiro que participará. Serão 81 competidores. “Treinei e vou dar o meu melhor, mas sabemos que pessoas com muito conhecimento e muito tempo competindo (inclusive, antigos campeões) estarão competindo também. Vamos participar, fazer network, conhecer pessoas e aprender muito. Quem sabe voltamos como campeões”, diz Heitor. Aeropress é uma maneira rápida de fazer café; nela, é o ar que faz a pressão na base do cilindro.