Quinta-feira, 12 de março de 2026
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Moradores pedem o direito de dormir em paz

Medidas foram discutidas em audiência pública para enfrentar as cheias em TB

12/03/2026 06:00|Por Redação

Moradores do bairro Dehon, em Tubarão, participaram de uma audiência pública promovida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para discutir os recorrentes problemas de alagamentos na região. O encontro reuniu representantes do poder público, técnicos, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e integrantes da comunidade.

A audiência foi conduzida pelos promotores das 4ª, 6ª e 7ª Promotorias de Justiça da comarca de Tubarão, que vêm acompanhando o caso por meio de um inquérito civil instaurado para apurar falhas no sistema de drenagem do bairro.

Durante o encontro, moradores relataram os impactos causados pelas enchentes nos últimos anos. Um dos depoimentos destacou o medo constante em dias de chuva. “Pedimos apenas o direito de dormir em paz, sem medo da chuva”, afirmou um representante da comunidade durante a audiência.

Maria de Fátima moradora há 40 anos no bairro já perdeu diversos pertences em decorrência dos alagamentos. “Alagou tudo. Perdi todos os móveis embutidos da casa. Perdi freezer, geladeira, e ainda tem toda a sujeira que fica. Levamos quase um mês para limpar tudo. Sem falar no mau cheiro, que demora para sair, porque é uma água suja, que retorna pelo esgoto. E a gente nunca mais se sente segura, porque é o único bem que temos e, cada vez que chove forte, tudo pode acontecer de novo”, contou.

Joelson Luiz Fernandes foi quem reuniu moradores e procurou o Ministério Público para solicitar apoio, iniciativa que deu início às investigações conduzidas pelas Promotorias de Justiça. 

Segundo ele, os problemas vêm sendo registrados há anos. “Nós temos identificado, desde 2022 e 2023, recorrentes inundações no bairro em função de um sistema de macrodrenagem que não tem funcionado em conformidade com as exigências. Um grupo de moradores passou a se reunir periodicamente e levamos um documento em mãos ao Ministério Público para pedir ajuda, para que o órgão pudesse cobrar do poder público respostas para essas situações”, explicou.

Conforme o Ministério Público, a investigação apontou que, em episódios registrados em 2022 e 2023, falhas em equipamentos de drenagem contribuíram para o retorno da água do Rio Tubarão ao bairro, agravando os alagamentos em diversas residências.

 

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Medidas   

Durante a audiência, a prefeitura de Tubarão apresentou ações emergenciais já realizadas e projetos estruturais previstos para tentar resolver o problema. 

Entre as medidas anunciadas está a licitação para implantação de novas estações elevatórias de macrodrenagem, com investimento estimado em R$ 3,9 milhões.

O projeto prevê estudos técnicos, elaboração de projetos e execução de obras para instalação de equipamentos mais adequados ao sistema de drenagem da região. A prefeitura informou que também vem realizando manutenção das bombas existentes, limpeza de comportas e desobstrução de valas.

Outra ação anunciada é a preparação de uma licitação para retirada de vegetação no Rio da Madre, cuja obstrução pode influenciar no nível das águas em períodos de chuva intensa.

O Ministério Público informou que continuará acompanhando o andamento das medidas por meio do inquérito civil. 

De acordo com os promotores responsáveis pelo caso, novas reuniões e acompanhamentos poderão ocorrer para avaliar a execução das ações e garantir que as medidas anunciadas sejam implementadas.

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