Quando a paranaense Talita Negri, moradora de Tubarão, ganhou sua primeira filha, Victória, não sabia que as maiores dificuldades que teria não seria só com a microcefalia que a criança nasceu, mas também com os impasses no tratamento por conta do plano de saúde.
Aos três anos, a menina faz desde 2020 tratamento especializado em uma clínica de reabilitação em Tubarão - onde a família veio morar em outubro de 2020 justamente porque foi na cidade onde encontrou a melhor alternativa para melhorar a qualidade de vida da pequena. Mas o plano de saúde de Talita não tem credenciada esta clínica nem qualquer outra especializada que Victória precisa.
“Ela fez fisioterapia comum até um ano e três meses e não houve qualquer evolução em seu quadro. Até que a neuropediatra dela recomendou especialistas, que só encontramos em Tubarão - aliás, a cidade está de parabéns pelo ouro que tem aqui”, conta. Porém, a clínica não é conveniada pelo plano. “Cheguei a ganhar uma ação na Justiça para que o tratamento especializado fosse coberto, mas o plano sequer cumpriu”, lamenta.
Com a decisão do STJ esta semana, de que os planos de saúde não são obrigados a cobrir terapias que estão fora da lista, Talita diz que a situação para ela e tantas outras famílias ficará ainda mais complicada. “Se mesmo com decisão favorável da Justiça anteriormente, o plano já não cumpria, com esta decisão muitas pessoas serão impactadas”, lamenta. “É muito triste que foquem apenas no lado financeiro, sem sequer entender a importância de atendimentos especializados”, completa.
Talita possui uma página no Instagram onde compartilha as experiências com a pequena Victória e traz informações sobre como é a vida de uma criança com microcefalia e sua família. Quem quiser conhecer o perfil é @minhaespecialvidademae.