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Mãe e filha retornam da Alemanha após tragédia

23/07/2021 06:00

Quando esta matéria for publicada, na manhã desta sexta-feira, o drama de quase dez dias da família da tubaronense Marcela da Silva Amândio terá chegado ao fim. Ela e a filha, Olívia, de sete anos, chegam nesta sexta no aeroporto de Florianópolis, vindas da Alemanha, após dias de desespero em meio à enxurrada que assolou e destruiu várias cidades do país.


De acordo com a mãe de Marcela, Christiani Alves da Silva, de Tubarão, foram dias de muita angústia que só será realmente aliviada após ter filha e neta nos braços. “Mesmo com tanta facilidade na comunicação hoje em dia, por conta de toda a destruição, os sinais de internet e telefone ficaram muito ruins lá. Conseguíamos apenas mensagens muito rápidas deles. Só fui conseguir falar com elas e vê-las por uma chamada de vídeo, efetivamente, nessa quarta-feira, uma semana após toda a destruição ter início”, conta.


O pai e a sogra de Marcela vão recepcioná-las em Florianópolis, enquanto o restante da família estará esperando por elas em Garopaba, onde mora a irmã de Marcela. “Estamos preparando um almoço surpresa para elas, com tudo o que elas gostam. Meu coração está a mil, está difícil conter a ansiedade para tê-las logo aqui, seguras com a gente, após tanto medo”, diz Christiani.


Lucas, marido de Marcela e pai de Olívia, ficou na Alemanha para achar outro apartamento para morarem, já que o que viviam foi destruído. A energia elétrica na cidade deve voltar de maneira total só daqui a três meses. Ele terá que fazer toda a parte burocrática e ver como ficará o emprego dele.


Marcela, que morava em Bad Neuenahr-Ahrweiler há quase um ano - uma das cidades mais atingidas pelas chuvas, deve ficar cerca de três meses no Brasil, na casa da mãe, que mora em Turvo atualmente. Tanto a família materna quanto a paterna de Marcela são de Tubarão. “Vamos saber tudo realmente em detalhes quando elas chegarem, mas o que mais queremos agora é abraçá-las e ver que estão bem. É muita aflição”, pontua.


Casal perdeu tudo o que tinha na cidade

A enchente atingiu a cidade alemã de Bad Neuenahr-Ahrweiler na noite de quarta-feira da semana passada, dia 14. O apartamento, no andar térreo, em que Marcela, Lucas e Olívia moravam ficou destruído. Para se salvarem, precisaram subir na laje do telhado do prédio vizinho.


O primeiro sinal de que havia algo estranho foi a passagem de um carro de som pela rua onde moram. Como não entendia o idioma, nem imaginava que seria para avisar algo sobre a enchente. Logo em seguida, no grupo de mães da escola da Olívia, no WhatsApp, anunciaram a suspensão das aulas, pois a água do rio Ahr estava com o volume muito alto. Às 22h, tocou uma sirene da Segunda Guerra Mundial, que hoje somente soa em caso de emergência. Foi quando uma vizinha foi até o apartamento de Marcela pedindo que tirasse o carro e levasse documentos e eletrodomésticos importantes para a casa dela, em uma área mais alta. Neste momento, a água já havia entrado na casa deles.


A mãe de Marcela, Christiani Alves da Silva, diz que a filha contou que um dos momentos mais tristes e também mais fortes foi quando Olívia, com apenas sete anos, disse que achava que ia morrer, porque não sabia nadar e havia muita água. “Aí ela falou que elas não iriam morrer e que o pai de Olívia, Lucas, as salvaria porque ele sabia nadar”, conta, emocionada.


Christiani também se emociona ao contar sobre a ajuda que a filha, o genro e a neta receberam. “Tenho a certeza de que Deus colocou anjos nas nossas vidas”, afirma. “Uma moça brasileira que vivia lá, mas não os conhecia, resolveu levar algumas peças de roupa para eles. Quando viu a situação em que se encontravam, levou-os para a casa dela, que não havia sido atingida pelas chuvas”, revela.


Daqui do Brasil, a família de Marcela e Lucas se uniram e realizaram uma vaquinha virtual, onde arrecadaram dinheiro para que as duas pudessem voltar ao Brasil e ainda deixar uma quantia para Lucas se manter na Alemanha até se estabilizar um pouco mais a situação.

 

Quase 200 mortes

As fortes enchentes transformaram ruas em rios com correntezas violentas, que varreram carros, arrancaram árvores e causaram o desabamento de algumas edificações nas cidades atingidas. Represas correm o risco de se romper na Alemanha e na Bélgica. Na Europa, 196 mortes foram causadas pelas enchentes.

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Micheline Zim

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